Curitiba terá manifestação contra ocupação nas escolas

Andreza Rossini


Pais, alunos e professores que são contra a ocupação nas escolas estaduais, promovidas por alunos que protestam contra a reforma no ensino médio proposta pelo presidente Michel Temer (PMDB), vão realizar uma manifestação, a partir das 14 horas do próximo domingo (23), na Praça Santos Andrade, em Curitiba.

O líder do movimento Curitiba Contra  a Corrupção, Cristiano Roger, um dos organizadores do ato afirmou que a iniciativa foi tomada por estudantes. “Nós não vamos passar nos colégios. É um ato contra as invasões nas praças. O poder de decisão maior será dos estudantes, nós só estamos apoiando”, afirmou. O protesto tem apoio de grupos como Curitiba Contra a Corrupção, e Patriotas.

14804725_10211305199005462_742252933_nNa coletiva realizada na tarde de quarta-feira (20), o Ministro da Educação Mendonça Filho afirmou que caso as escolas não sejam desocupadas até o dia 31 de outubro, as provas do Enem que estão programadas para os dias 5 e 6 de novembros vão ser adiadas nas instituições ocupadas. Ele chamou a população para “sensibilizar os estudantes” que participam das ocupações. “O que nós fazemos de concreto é um apelo. Bom senso, para que as pessoas possam se retirar das escolas e permitirem que os jovens possam se submeter as provas do Enem deste ano. Os jovens que tiveram os nomes divulgados agora [na carta de confirmação], em relação aos locais de prova, que eles possam sensibilizar os colegas para desocupar, os pais e a comunidade como um todo também. Acho que ninguém pode ter o direito de prejudicar o outro naquilo que é essencial, que é o acesso a educação. Respeito o direito de protesto, desde que ele respeite o direito de ir e vir e de acesso à educação”, disse.

O presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas, Matheus dos Santos, afirmou que é possível aplicar todas as provas do Enem, mesmo com a ocupação. “Só quem sabe da possibilidade de as escolas serem desocupadas ou não são os alunos. Estamos organizando uma assembleia estadual para definir o rumo das ocupações. Nós acreditamos que as ocupações não vão interferir na realização de provas do Enem, são apenas 35% de escolas ocupadas e nem todas recebem o exame. Além disso existe uma infinidade de prédios do governo do estado e da iniciativa privada. Se fizer uma boa adequação todas as provas vão poder ser aplicadas. Vale ressaltar que os estudantes da ocupação também vão fazer a prova do Enem.”

As ocupações e a greve dos servidores estaduais, contra a medida proposta pelo governador Beto Richa que suspende o reajuste da categoria previsto para janeiro, deve fazer com que as aulas do ano letivo de 2016 só sejam concluídas em fevereiro de 2017, de acordo com a Secretaria de Estado da Educação.

Crimes

Em uma reunião com a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária na tarde de quarta-feira (19), pais e alunos apresentaram denúncias de crimes que estariam sendo cometidos dentro das dependências das escolas ocupadas, como consumo de bebidas alcoólicas e pichações. Denúncias de casos como estes podem ser feitos através do disque-denúncia, 181.

Parar o que já não está bom é a solução? – DESBAFO DE UMA PROFESSORA PARANAENSE

Parar o que já não está bom é a solução? Este é o questionamento que nos fazemos; nós os professores que não concordam com a forma como as coisas estão acontecendo nas escolas públicas. O Ensino Médio precisa mudar claro que precisa. Porém deveria ter havido um  amplo debate.

Já que isso não aconteceu e nesse momento os alunos estão parados, após invadirem as escolas e não permitirem  que haja seguimento normal das aulas, nos questionamos se esses mesmos alunos estão efetivamente utilizando esse tempo e lugar para debater ponto a ponto esta pauta e buscando soluções , não apenas apontando defeitos, afinal criticar é fácil.

Importante pontuar que nós  estamos vivendo a Lei da Mordaça. A maciça maioria dos professores não apoia esta paralisação e muito menos a invasão, porém  não se manifesta por medo de  represálias dentro do ambiente de trabalho tanto por  colegas professores, por pessoas ligadas a APP-Sindicato, como pelos próprios  alunos . Isso é o que  nos deixa mais tristes,  os olhares e as ameaças  veladas que sofremos por parte de muitos alunos invasores que foram convencidos pelos mestres DENTRO das salas de aula a retaliar os professores que não estão apoiando essa  abordagem radical. Vivemos um clima de trabalho pesado , colegas professores nos censuram  apenas por termos outra opinião. Acabou a democracia nas escolas publicas.

A grande preocupação dos professores sérios é com os alunos, que consideramos como filhos ”emprestados”, e que estamos trabalhando em conjunto, desde o inicio do ano, preparando para os vestibulares e o ENEM. Domingo próximo é o vestibular da UFPR,  os alunos das escolas públicas estão parados a três semanas, enquanto os alunos dos colégios particulares estão com aulas de véspera, Aulões de Resumo, Literatura específica…  Os nossos alunos estão parados no tempo, esperando…

Onde estão os pais ou responsáveis desses menores de idade? Pais, vocês estão liberando seus filhos para ficarem acampados dia e noite num espaço sem supervisão de um adulto que se responsabilize por tudo o que acontecer durante esse período? Onde está o Conselho Tutelar? Senhores pais e avós acordem!

Então nós,   professores sensibilizados com tudo isso, pensamos que esse pessoal da esquerda mais uma vez está prejudicando nossos queridos alunos , que com certeza terão um desempenho escolar pífio perante um concurso vestibular ou ENEM comprometendo um ano de estudos desse adolescente.

É muito claro e evidente que esta invasão e paralisação das escolas públicas é movida por um interesse político partidário, liderado por professores ligados a APP-Sindicato, e portanto a CUT e partidos políticos que estão usando a desculpa da Reforma da Educação para retaliar o  resultado democrático das urnas que nestas eleições municipais praticamente varreram a esquerda das prefeituras e câmaras municipais brasileiras.

A portas dos banheiros das escolas pichadas com frases como “Fora Temer Vamos parar o País” demonstram isso claramente, apesar de totalmente incoerente pois o mesmo pessoal que está  invadindo e protestando foi quem elegeu a chapa Dilma/Temer em 2014.

Além do que causar tumulto em  Curitiba é estratégico e emblemático afinal é aqui a sede da “Operação Lava Jato”, onde está sendo demonstrado os caminhos do dinheiro desviado pela corrupção.

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