Devolver mulheres vítimas de violência ao mercado é desafio

Andreza Rossini


Por Brunno Brugnolo do Metro Curitiba

No primeiro semestre deste ano 315 mulheres vítimas de violência foram atendidas pelo serviço de autonomia econômica na CMB (Casa da Mulher Brasileira) em Curitiba. Deste total, apenas 12 conseguiram ser contratadas e estão empregadas no momento.

Segundo a coordenadora de projetos do Ministério do Trabalho responsável pelo atendimento dentro da casa, Cristiane Pereira, cerca de 60 ainda estão participando de processos seletivos. Outras 40 estavam sem a carteira de trabalho – sendo nove porque o companheiro agressor havia destruído o documento. “A dificuldade é muito grande. Eu queria ter recolocado umas 200, pelo menos de 10 a 15 por mês, mas a crise e os problemas específicos dessas mulheres são obstáculos”, disse.

Os problemas para a recolocação profissional são vários: vão desde a baixa qualificação em boa parte dos casos até o grande tempo fora do mercado de trabalho, que afeta quem tem formação mas está desatualizada.

Para Cristiane, muitas vezes o problema acontece já na entrevista. “Algumas começam a chorar e não param. Aqui na CMB elas se sentem seguras, mas quando saem a coisa muda. O trauma psicológico é muito grande, se desesperam”, relatou.

Até chegar ao setor de inserção do mercado de trabalho, as mulheres violentadas passam pelo atendimento psicossocial e por todos os procedimentos legais para garantir sua proteção – desde medidas protetivas até a prisão do agressor.

Segundo a assessora de direitos humanos e coordenadora de Políticas para Mulher da prefeitura, Terezinha Beraldo Pereira Ramos, o ‘empoderamento econômico’ é fundamental para a vítima ser definitivamente liberada da violência familiar. “A dependência econômica é muito grande e aumenta de acordo com número de filhos, necessidade de creche”, declarou.

Projetos

Terezinha assumiu o cargo em abril e diz que levou o final do 1º semestre para ‘arrumar a casa’. Agora o foco será na implantação de projetos em várias áreas da CMB.

Na questão do mercado de trabalho, alguns deles estão sendo estudados. “Já fizemos uma reunião na ACP (Associação Comercial do Paraná) com mulheres empresárias e elas têm interesse em trabalhar uma parceria. Outro é o ‘Mulher para toda obra’, voltado para atividades mais delicadas da Construção Civil como de azulejista ou pintura e retoques”, revelou.

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