Em carta, diretores de 28 hospitais de Curitiba fazem alerta à população: “estamos limitados”

Vinicius Cordeiro

Boleti aponta novos casos e mortes por covid no Paraná

As diretorias médicas de 28 hospitais de Curitiba elaboraram uma carta à população curitibana, obtida pelo Paraná Portal, para falar sobre o pior momento da pandemia de covid-19.

O cenário é caótico: 97% das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) estão ocupadas, o que significa que restam 15 leitos livres dos 469 existentes. Segundo os dados da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), 180 pessoas com confirmação ou suspeita de covid estão na fila de espera por uma UTI em Curitiba e na Região Metropolitana. Já outros 291 pacientes aguardam por leitos de enfermaria.

Além disso, também chegam relatos de superlotação nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), transformadas pelas prefeituras em uma espécie de hospitais para tratar casos graves da doença.

Os diretores classificam o momento como “dramático” e ressaltam que o coronavírus é um inimigo devastador, ainda mais com as novas variantes identificadas.

Estamos extremamente limitados para novas ampliações, ou por falta de infraestrutura (espaço físico, equipamentos) ou ausência de equipes para operacionalizar outros espaços”, afirmam.

Segundo eles, não são possíveis mais ampliações de leitos por falta de espaço físico, equipamentos ou ausência de equipes médicas disponíveis. Diante desse cenário, os especialistas alertam para o esgotamento total de recursos. Ontem (15), o Cemepar (Centro de Medicamentos do Paraná) emitiu alerta que alguns remédios usados no tratamento da covid-19 devem acabar entre três e oito dias, incluindo sedativos e analgésicos.

Vale lembrar que pelo menos cinco hospitais particulares já suspenderam o pronto-atendimento devido à alta demanda por covid: Marcelino Champagnat, Nossa Senhora das Graças, São Vicente Centro, Pilar e INC (Instituto de Neurologia e Cardiologia).

“Estamos extremamente limitados para novas ampliações, ou por falta de infraestrutura (espaço físico, equipamentos) ou ausência de equipes para operacionalizar outros espaços”,

CARTA ABERTA AOS CURITIBANOS: LEIA A ÍNTEGRA E QUAIS HOSPITAIS ASSINAM

Alertamos os nossos clientes/usuários que o momento da Pandemia Covid 19 é dramático, trata-se de um inimigo invisível e devastador, que não distingue escolaridade, raça, credo, ou poder aquisitivo. O total de casos ativos e de óbitos é o maior desde o início da pandemia. Com as novas cepas mais transmissíveis, temos maior número de pessoas doentes, como o vírus não circula sozinho ele precisa de contato entre as pessoas para disseminar a doença, por consequência, exigindo mais leitos e infraestrutura de atendimento.

Para atender a crescente demanda, leitos foram ampliados nos hospitais públicos e privados de Curitiba e Região Metropolitana, e todos estão já ocupados inclusive estamos com pacientes críticosem unidades de emergência aguardando vagas nas Unidades de Terapia Intensivas.

Neste momento, estamos extremamente limitados para novas ampliações, ou por falta de infraestrutura (espaço físico, equipamentos) ou ausência de equipes para operacionalizar outros espaços. Nossas equipes têm atuado de forma dedicada e competente para manter o atendimento aos que necessitam, mas a sobrecarga de trabalho e a duração desta pandemia tem abatido a energia de todos, no entanto, continuamos atuando por responsabilidade profissional, solidariedade e heroísmo.

Os diretores Técnicos dos hospitais, cientes da sua responsabilidade de garantir a segurança da assistência e zelar pela boa pratica médica de suas equipes vem a público demonstrar a sua preocupação quanto ao esgotamento absoluto dos recursos para manter o atendimento dentro dos padrões exigidos, mesmo em nossa cidade que tem um sistema de saúde muito bem organizado e reconhecido nacionalmente.

Estamos passando pelo momento mais crítico da Pandemia desde o seu início, enquanto aguardamos maior número de vacinas, entendemos que foi indispensável determinar o lockdown, atitude mais dura e impopular, no entanto, acertada para interromper o avanço descontrolado do contágio do Covid-19 e evitar o colapso do sistema de saúde da capital.

Tal atitude garante o distanciamento social obrigatório e a redução da transmissibilidade do vírus, caso contrário, não haverá leitos em quantidade suficiente para atender a população.

Em respeito aos princípios da Bioética e da boa prática médica ressaltamos que o único propósito desta comunicação é o de alertar para a gravidade da situação e solicitar que nos ajudem na missão de preservar vidas.

Assinam o texto os diretores dos seguintes hospitais de Curitiba:

  1. Hospital Angelina Caron
  2. Hospital Cardiológico Constantini
  3. Hospital Cruz Vermelha
  4. Hospital das Nações
  5. Hospital de Infectologia e Retaguarda Clínica Oswaldo Cruz
  6. Hospital de Olhos do Paraná
  7. Hospital de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier
  8. Hospital do Idoso Zilda Arns
  9. Hospital do Rocio de Campo Largo
  10. Hospital do Trabalhador
  11. Hospital Erasto Gaertner
  12. Hospital INC – Instituto de Neurologia de Curitiba
  13. Hospital IPO – Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia
  14. Hospital Marcelino Champagnat
  15. Hospital Nossa Senhora das Graças
  16. Hospital Pequeno Príncipe
  17. Hospital Pilar
  18. Hospital Santa Madalena Sofia
  19. Hospital São Lucas de Campo Largo
  20. Hospital São Lucas de Curitiba
  21. Hospital São Vicente
  22. Hospital Sugisawa
  23. Hospital Universitário Cajuru
  24. Hospital Universitário Evangélico Mackenzie
  25. Hospital Vita Batel
  26. Hospital Vita Curitiba
  27. Hospital XV
  28. Santa Casa de Curitiba

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