Empresário é condenado a 25 anos pelo assassinato de advogada

Mariana Ohde


Foi condenado a 25 anos de prisão o empresário acusado de planejar a morte da advogada da ex-esposa. Vanderson Benedito Correa foi julgado pelo homicídio qualificado de Kátia Regina Leite, assassinada em 2010 com cinco tiros na cabeça quando saía de casa, no bairro Boa Vista. O Tribunal do Júri de Curitiba condenou o empresário à prisão em regime inicial fechado. A decisão foi anunciada pouco antes da 1h da madrugada deste sábado (24), depois de 32 horas de julgamento. Ao todo, 14 testemunhas foram ouvidas.

Kátia morreu enquanto defendia a ex-esposa do empresário, que era vítima de violência doméstica, em um processo de separação judicial. A advogada tinha 44 anos e deixou três filhos. Atuante durante mais de 20 anos, Kátia comandou por uma década o setor jurídico do Conselho da Condição Feminina, atuou como secretária-geral adjunta na subseção de Curitiba e, cerca de um mês antes de ser morta, havia sido aprovada em concurso para trabalhar na Paraná Previdência.

A OAB Paraná acompanhou o caso desde o início e designou o advogado Dálio Zippin Filho para atuar como assistente de acusação. Ele considerou que a pena foi justa e disse que os votos dos jurados foram de acordo com os pedidos da acusação.

O presidente da OAB-PR, José Augusto de Noronha, também acompanhou o julgamento. Ele disse que casos como esse, em que advogados são mortos pela atuação profissional, são graves e precisam ser evitados. “Não podemos admitir que mulheres ou qualquer advogado que esteja em seu exercício profissional sejam brutalmente atacados e, como no caso, tenham suas vidas retiradas em um crime chocante. Esse crime chocou toda comunidade jurídica, porque ela estava defendendo o interesse de sua cliente”, afirma.

Kátia Leite também era uma defensora intransigente dos direitos da mulher. Ela comandou por uma década o setor jurídico do Conselho da Condição Feminina. A presidente da Comissão de Estudos sobre Violência de Gênero da OAB-PR, Sandra Lia, disse que a advogada acabou se tornando mais uma vítima da violência contra a mulher.

“Esse caso é bem emblemático porque a cliente da Kátia sofreu violência doméstica por muito tempo e a própria Kátia recebeu várias ameaças do agressor. Como ela era uma pessoa muito ativa, muito forte, ela não deu atenção a essas ameaças”, conta.

O outro réu do processo, o ex-policial militar Flávio Vasques Oliveto, acusado de ter atirado contra a advogada, está preso na Casa de Custódia de São José dos Pinhais desde 2015 e também será julgado pelo crime.

(Com informações da CBN Curitiba e BandNews Curitiba)

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