Empresas consideram aumento da tarifa técnica insuficiente

Mariana Ohde


Com Metro Curitiba e BandNews

A empresas de ônibus de Curitiba emitiram nesta quarta-feira (5) uma nota reclamando do valor da tarifa técnica, depois que a Urbs anunciou o novo valor, de R$ 3,9848 por cada passageiro transportado – o valor anterior era de cerca de R$ 3,66, o aumento foi de 8,72%.

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) diz que o novo valor é insuficiente para cobrir o custo de operação. Como a passagem está custando R$ 4,20, a prefeitura vai “lucrar” R$ 0,22 a cada passagem paga. Os recursos servirão como colchão para gastos futuros, segundo a Urbs.

Segundo as empresas, os números do sistema estão superestimados. Neste ano a projeção da Urbs é transportar 16,1 milhões de passageiros por mês, contra uma estimativa de 15,4 milhões das empresas. No ano passado o número foi de 16,5 milhões. Os empresários pedem uma tarifa de R$ 4,7512 (R$ 0,77 a mais da determinada pelo município).

“De maneira nenhuma significa valor de tarifa para o usuário. O Setransp apoia a criação de novas receitas para custear o serviço, como a municipalização da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a Cide Municipal. A ideia é que o transporte individual financie o transporte coletivo. Segundo dados da Faculdade Getúlio Vargas, um acréscimo de R$ 0,10 no preço do combustível reduziria cerca de R$ 0,30 no valor da tarifa”, diz o texto.

Cálculo

De acordo com o presidente da Urbs, José Antônio Andreguetto, além do investimento em pessoal, o cálculo para o reajuste do dinheiro pago às empresas leva consideração uma média de pouco mais de 16 milhões e 100 mil passagens pagas por mês em Curitiba. O plano de renovação de frota e insumos da planilha do transporte também fazem parte do cálculo.

“Essa porcentagem é o reajuste de salário do pessoal, baseado no acordo coletivo, no reajuste de outros insumos, como combustível, lubrificantes, pneus, e outros. Esse reajuste de 3,98% é o reajuste do momento. Nós teremos novos reajustes, porque a tarifa técnica é uma tarifa dinâmica, nós teremos novos incrementos, inclusive reposição da frota, acréscimo da frota”, explica.

“Quando aplicamos a tarifa, fizemos uma projeção para podermos arcar com as despesas previstas e projetadas até fevereiro de 2018. A tarifa é congelada, como dissemos, e diremos quantas vezes preciso for, para deixar o usuário tranquilo”, afirma.

Curitiba tem hoje 270 ônibus com vida útil vencida. As empresas entraram com ações na Justiça que travaram o cumprimento do contrato para renovação da frota. Isso faz com que novos ônibus não sejam comprados.

No cálculo da nova tarifa técnica a prefeitura considerou a compra de 24 novos ônibus. Apesar disso, não há previsão para compra dos 270 veículos vencidos. O presidente da Urbs afirma que a gestão tenta retirar as ações para trazer a discussão para a esfera administrativa.

“Conversamos com eles constantemente, até porque são fornecedores nossos, tem por força contratual a obrigação de fazer isso. Temos como obrigação de dialogar e buscar soluções para essas ações judicializadas. Estamos em busca de sair da esfera judicial e vir para a esfera administrativa. Precisamos encurtar o caminho e resolver isso”, diz.

Entre as reclamações, estão itens que são descontados da tarifa técnica. As empresas alegam que a Urbs vai descontar, mensalmente, o valor relativo à implantação de banheiros químicos para os trabalhadores. Esse valor foi inserido na tarifa técnica pela gestão anterior.

O Setransp já havia solicitado a retirada desse item da planilha de custo e a devolução dos valores repassados, pois entende que alterações no mobiliário urbano são de responsabilidade do poder público. A atual gestão retirou o item, mas os valores referentes ao ano passado ainda são descontados.

A Urbs afirma que remunera as empresa de acordo com o contrato que foi assinado por ambas as partes. “Tarifa técnica é aquela que remunera as empresas. A do usuário é o que cobramos do usuário. A tarifa técnica é composta de todo o custo para manutenção, ou seja, a aquisição dos veículos, pagamento dos motoristas e cobradores, combustível, pneus, tudo o que compõem o custo para que as empresas possam transportar o usuário. Inclusive remuneração de lucro, de capital”, afirma, “Tudo isso que compõem o edital está sendo cumprido”.

As empresas não se manifestaram sobre as ações judiciais que travam a renovação da frota desde 2012. As empresas afirmam apenas que seguem as conversas com o poder público para buscar melhorias para o transporte coletivo.

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Repórter no Paraná Portal
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