Estabelecimentos reabrem e Vicente Machado tem noite “normal” após ação da prefeitura

Roger Pereira


A noite seguinte à Operação Balada Protegida foi de movimento intenso nas ruas e bares da rua Vicente Machado, alvo, na última quinta-feira, da primeira ação ostensiva da prefeitura de Curitiba contra irregularidades nos estabelecimentos noturnos da cidade, que ocorreu, coincidentemente, na rua em que mora o prefeito Rafael Greca e resultou no fechamento de quatro estabelecimentos. Na noite de sexta-feira, a movimentação foi normal, segundo os comerciantes da região.

A noite transcorreu com tranquilidade, apesar da apreensão das pessoas quanto à possibilidade de protestos ou de uma nova operação das autoridades. Estabelecimentos fechados na noite anterior, como o James Bar e o Posto Heller, já estavam funcionando normalmente. A reportagem do Paraná Portal esteve no local por cerca de duas horas e, neste período, duas diferentes viaturas policiais percorreram a rua, em velocidade lenta, monitorando os frequentadores dos espaços.

Mobilizados por um evento criado em uma rede social, algumas pessoas foram até a Vicente Machado protestar contra a ação da prefeitura. Elas concentraram-se na frente do edifício onde mora o prefeito, levaram cartazes e máscara, mas não fizeram nenhuma ação específica, partindo para aproveitar a noite em uma das casas da rua, ou mesmo na calçada, onde centenas de pessoas se concentram à noite, entre quinta-feira e domingo.

O jornalista Tiago Machado da Silva foi um dos que escolheu a Vicente Machado como local de saída na sexta-feira apenas por conta da ação do dia anterior. “Foi um abuso de autoridade. Curitiba precisa das pessoas aproveitando as ruas. Operações como a de ontem (quinta-feira) acabam restringindo a liberdade das pessoas e as afastando das ruas”, disse. “Com bairros muito mais violentos que o Batel e o Centro da cidade, ele quis fazer a operação aqui, na frente da casa dele. Teve interesse pessoal, sem dúvida”, acrescentou. “Estamos aqui hoje para mostrar que a população de Curitiba vem para a rua e tem voz”, concluiu.

Proprietária de um dos bares da rua, Rosane de Carvalho reconhece a necessidade de se fiscalizar os estabelecimentos noturnos da cidade, como se fiscaliza qualquer outro comércio, em questões como documentação, atendimento à exigências do Corpo de Bombeiros e às normas da Vigilância Sanitária. “Mas não o espetáculo que foi feito ontem. Bloquearam a rua, não deixaram sequer os clientes chegarem até nosso bar. Parecia, num primeiro momento, que tinha ocorrido uma tragédia e que a polícia isolou a área por conta disso”, disse. “Querem dar segurança para os jovens que frequentam a noite da cidade, coloquem um ou dois policiais na esquina, prendam os grandes traficantes da cidade. Não são as pessoas que estão consumindo nos bares que estão ameaçando a segurança de Curitiba”,disse.

O presidente da Associação da Bares e Casas Noturnas de Curitiba, Fabio Aguayo, também foi ao local. Ele disse que, apesar da grande movimentação na rua, os movimento nas casas e bares fechados, com controle de entrada, diminuiu por conta de informações de que uma nova ação poderia ocorrer na sexta-feira. “O que me preocupa é que a espetacularização desse ato não tenha a participação do empresariado para colaborar e aprimorar. Todos defendemos a fiscalização, mas queremos uma fiscalização responsável, consciente e, acima de tudo, educativa”, disse. “Somos frequentemente fiscalizados. Estamos acostumados com Aifu e tudo mais. Mas desta forma truculenta e teatral, foi a primeira vez”, acrescentou.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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