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Não quero ser julgado por interpretações, eu quero ser julgado por provas, diz Lula

Francielly Azevedo e Jordana MartinezDepois de mais de cinco horas de depoimento ao juiz da Lava Jato, Sérgio Mor..

Jordana Martinez - 10 de maio de 2017, 20:05

Francielly Azevedo e Jordana Martinez

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Depois de mais de cinco horas de depoimento ao juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguiu direito para ato público no Centro de Curitiba. Em discurso para cerca de 10 mil manifestantes (5 mil segundo a PM e 50 mil de acordo com a organização), Lula reafirmou o desejo se candidatar à Presidência da República.

“Se eu fiz algo errado, eu quero ser julgado pelo povo brasileiro, antes de ser julgado pela justiça”, afirmou.

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No discurso, Lula fez referência ao desgaste que sofreu durante a oitiva e em todo o processo da Lava Jato.

"Nunca antes na história do Brasil alguém foi tão massacrado como estou sendo. Alguém irá contar essa história, história do que fizeram com a presidenta eleita democraticamente. Digo do fundo do coração, se um dia eu tiver cometido um erro eu não quero ser julgado apenas pela justiça, eu quero antes ser julgado pelo povo brasileiro... Eu não quero ser julgado por interpretações, eu quero ser julgado por provas", afirmou no palanque montado na praça.

E fez um desabafo: "se não fossem vocês eu não suportaria o que eles estão fazendo comigo... Doze partidas de futebol entre Real Madrid e Barcelona, ou 18 horas, afirmou o ex-presidente em referência ao tempo da soma das reportagens veiculadas pelo "Jornal Nacional" da Rede Globo.

Dilma

A ex-presidente Dilma Roussef foi a primeira a falar e voltou a dizer que o PT está sendo vítima de um "golpe".

"Eles querem inviabilizar as condições de cidadania para que o nosso ex-presidente se coloque para ser aceito, ou não, votado, ou não, pelo povo brasileiro... Perder eleição não é vergonha. Só é vergonha para golpista", afirmou.

Cinco horas de depoimento

O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância, terminou após quase cinco horas de duração. Segundo a assessoria de imprensa da Justiça Federal (JF) de Curitiba, a audiência teve pausas de 10 minutos para que os envolvidos pudessem tomar água, café e usar os banheiros. Segundo a assessoria, os vídeos com os depoimentos devem ser colocados à disposição no sistema eletrônico processual da JF ainda nesta noite. A previsão é que sejam disponibilizados até as 20 horas. 10 fatos que talvez você não saiba sobre o “Lula Day”

Essa é a primeira vez que Lula é interrogado como réu no processo. Ele é acusado de ser beneficiário de um triplex no Edifício Solaris, na praia Guarujá, no litoral paulista, construído pela pela cooperativa habitacional do sindicato dos bancários (Bancoop), que foi comprado e reformado pela empreiteira OAS. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Lula seria o verdadeiro dono do imóvel e o teria recebido como vantagem indevida em troca de favores. O ex-presidente Lula foi indiciado por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Depois que Moro terminar as perguntas, o magistrado vai abrir o interrogatório para os representantes do MPF e depois passa a palavra para os advogados de defesa do ex-presidente e dos demais réus da ação penal. A audiência não tem horário para terminar.

Outros réus são os ex-executivos da OAS Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Fabio Hori Yonamine, José Aldemário Pinheiro Filho e Paulo Roberto Valente Gordilho; o advogado Roberto Moreira Ferreira; e o presidente do Instituto Lula, Paulo Tarciso Okamotto. A ex-primeira-dama Marisa Letícia também estava entre os réus, mas morreu no dia 3 de fevereiro.

Depois de ouvir o ex-presidente e receber as alegações finais do MPF e das defesas, Moro deve decidir se condena ou absolve os réus do processo. Não há prazo para a decisão.

Primeiro depoimento

Em março de 2016, quando foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal, o ex-presidente Lula negou a propriedade do triplex: “Eu acho que estou participando do caso mais complicado da história jurídica do Brasil, porque eu tenho um apartamento que não é meu… a polícia inventa a história do Triplex, que foi uma sacanagem homérica, inventa a história de uma off-shore do Panamá, que veio para cá, que tinha vendido o prédio, toda uma história para tentar me ligar à Lava Jato… e passado alguns dias descobrem que a off-shore não era a dona do triplex, que dizem que é meu”, afirmou à época.