Ex-delegado do caso Tayná é condenado a 9 anos por tortura de suspeitos

Andreza Rossini

O delegado Silvan Rodney Pereira foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão por torturar quatro homens que eram suspeitos da morte da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos. Ele deve cumprir pena em regime fechado pelos crimes de abuso de autoridade, tortura, estupro e lesão corporal.
De acordo com o Gaeco, o juiz Hermes da Fonseca Neto, da 1ª Vara Criminal de Colombo, também condenou o investigador de polícia, Jair Paulino da Silva, a 15 anos de prisão e o chefe de investigação, Rudis Eloi Pratto, a 9 anos e quatro meses de prisão.

Um policial militar envolvido para o caso teve o processo encaminhado para a Justiça Militar, devido a uma alteração recente na lei.

Outras 11 pessoas foram absolvidas dos crimes e uma teve a pena prescrita. Nas alegações finais, o MP havia pedido a absolvição de sete pessoas. Cabe recurso a absolvição das outras 4 determinadas pela Justiça.  Atualmente, caso está com a Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) da Polícia Civil.

Outro lado

O advogado de defesa, Claudio Dalledone,  afirmou que a base da condenação foi firmada em provas “frágeis” e que vai recorrer da decisão. Veja a nota na íntegra:


A defesa constituída pelo Delegado Silvan Rodney Pereira ainda não foi intimada da sentença condenatória proferida pelo Juízo Criminal de Colombo, não tendo, ainda condições de se aprofundar no exame da decisão.
Contudo, pelo que se teve acesso até este momento, já é possível constatar que o juízo condenatório está fundamentado em bases extremamente frágeis, na medida em que considerou como fontes de prova apenas a palavra das pretensas vítimas (prováveis autores do estupro e morte de Tayná), em detrimento uma grande gama de evidências consistentes que demonstram a improcedência da acusação de tortura atribuída ao Delegado.
A defesa tem plena convicção que o Tribunal de Justiça reformará a sentença no julgamento da apelação criminal, consagrando a absolvição do Delegado Silva Rodney Pereira.

O processo

São 21 policiais civis, um policial militar, dois guardas municipais e dois presos de confiança acusados de torturar os quatro rapazes, que eram funcionários do parque de diversões instalado perto da casa da adolescente de 14 anos.Depois de serem torturados para confessarem o crime, os quatro foram incluídos no Programa Federal de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas.

Entre os investigados no caso de tortura, alguns foram denunciados por falso testemunho, outros lesão corporal de natureza grave, por abuso de autoridade e crime de natureza sexual.

Caso sem solução

Mais de cinco anos depois, o caso da morte de Tayná continua sem solução. Em junho de 2013, após dois dias desaparecida, a garota foi encontrada morta em um terreno baldio em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Alguns dias depois, quatro funcionários de um parque de diversões foram presos. Na época, a polícia informou que eles confessaram que estupraram e mataram a garota. No mesmo dia, moradores da região invadiram e atearam fogo no parque de diversões.

Dois dias depois, uma perita da Polícia Científica afirmou que não foram encontrados indícios de estupro no corpo da menina. Toda a equipe que estava responsável pela investigação do caso foi afastada e, em seguida, houve a denúncia de que a confissão do crime (dos quatro suspeitos) havia sido feita sob tortura e 14 pessoas foram presas, entre elas policiais e delegados envolvidos no caso.

Em outra perícia foi encontrado sêmen em roupas íntimas de Tayná, mas não compatível com nenhum dos quatro suspeitos envolvidos no caso, de acordo com os exames de DNA. O corpo de Tayná foi exumado e passou novamente por exames para solucionar questões pendentes durante a investigação.

O caso segue em segredo de Justiça. O caso já passou pela tutela de quatro delegados. O inquérito tem mais de três mil páginas e está sob responsabilidade do delegado Marcelo Lopes da delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa.

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