Falta de segurança é a principal dificuldade dos ciclistas em Curitiba

Mariana Ohde


A falta de segurança no trânsito e o atrito entre ciclistas e motoristas são as principais dificuldades ao andar de bicicleta em Curitiba. Os problemas foram identificados por pesquisadores da Holanda que, desde o ano passado, estudam o uso das bikes na capital.

Os estudos sobre mobilidade na capital começaram em setembro de 2015 e são resultado de uma parceria entre Curitiba e a Universidade de Twente, na Holanda.

O engenheiro Bruno Guasti Motta, do Espírito Santo, é mestrando na universidade holandesa conveniada e, em Curitiba, estuda formas de garantir o uso da bicicleta como um meio de transporte. Para isso, ele entrevistou mais de duzentas pessoas usuárias de diversas formas de transporte em várias regiões da cidade. Também foram coletados dados sobre a infraestrutura da cidade e acidentes envolvendo ciclistas.

37% dos entrevistados afirmaram que usam a bicicleta para ir até o trabalho ou local de estudo. Mais de 50% dos participantes fazem o trajeto de carro ou de ônibus. A pequena amostra de informações coletadas não serve para tirar conclusões sobre toda a cidade, mas indica quais pontos devem ter mais atenção do poder público.

Ao apontar as maiores dificuldades quando se anda de bike na capital, os entrevistados destacaram a falta de segurança no trânsito e o comportamento entre ciclistas e motoristas. “Entre as pessoas que andam de bicicleta, [as principais reclamações são] a falta de espaço, a ‘briga’ com os carros ou coletivos. E uma das principais barreiras é a falta da estrutura cicloviária em pontos importantes para o planejamento da cidade. Ainda, as pessoas deixam de pedalar porque não têm estrutura, não têm um espaço seguro para usar a bicicleta”, explica.

Dados divulgados em abril pela Prefeitura de Curitiba mostram que o número de mortes de ciclistas no trânsito aumentou 72% na cidade em 2015 em relação ao ano anterior. No ano passado, foram registradas 19 mortes contra 11 em 2014.

O especialista em trânsito, Celso Mariano, avalia que só a infraestrutura não basta para garantir o uso da bicicleta como transporte no dia a dia. “Isso não é a infraestrutura que vai resolver, tampouco a fiscalização vai resolver se alguém vai ser gentil ou mal-educado. Isso é uma questão de comportamento. Então temos, por um lado, a necessidade de que as pessoas usem mais o transporte coletivo, andem mais a pé ou de bicicleta, e por outro temos que dar a devida infraestrutura e precisamos fazer com que todos usuários do trânsito percebam o valor disso, os benefícios que isso pode trazer para todos”, afirma.

Pontos positivos 

Entre os pontos que facilitam o uso da bicicleta em Curitiba, os entrevistados destacaram a acessibilidade e a infraestrutura, além da redução da velocidade dos carros em algumas regiões, como a chamada Área Calma, no Centro, onde a velocidade máxima permitida é 40 km/h. Na cidade onde o mestrando Bruno Guasti Motta mora, na Holanda, também há regiões em que os carros devem transitar nesta mesma velocidade. “Não tem acidente, os carros respeitam a distância mínima de 1,5 metro do ciclista”, conta.

A ideia do convênio de ciclomobilidade entre a universidade holandesa e a capital é usar exemplos de sucesso da Holanda para pensar novas soluções de mobilidade para Curitiba. Hoje, a cidade é a capital com o maior índice de carros por habitantes do Brasil. A previsão é a de que, nesse ritmo, em 2020, a cidade tenha um carro por habitante.

O especialista em trânsito Celso Mariano alerta: não há espaço para todo mundo e é preciso desenvolver outros meios de transporte para que oferecem praticidade e conforto. “Trânsito inteligente não é simplesmente todo mundo deixar o carro na garagem e andar de bicicleta ou ônibus. Nem sempre há condições para que todos possam fazer isso. Nós precisamos de uma distribuição melhor. Não há condições para que todo mundo tenha um carro e o utilize nas vias que nós temos”, afirma.

Nesta sexta feira (17) os pesquisadores da Holanda vão apresentar um balanço do convênio para o prefeito Gustavo Fruet. Na mesma ocasião, representantes das quatro maiores universidades de Curitiba vão divulgar dados de uma pesquisa sobre mobilidade feita nas instituições com objetivo de criar soluções para o trânsito no entorno das universidades que, juntas, têm mais de cem mil alunos.

(Com informações da CBN Curitiba)

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal