Familiares fazem protesto após quase um ano do assassinato de copeira

Andreza Rossini


Da BandNews Curitiba

Familiares e amigos da copeira Rosaira Miranda da Silva, baleada na cabeça por uma policial civil em dezembro de 2016, fizeram um protesto nesta sexta-feira (08) próximo ao local onde ocorreu o crime, no Centro Cívico. Rosaira tinha 45 anos e foi atingida enquanto participava de uma confraternização de Natal na empresa onde trabalhava. A investigadora Kátia das Graças Belo efetuou os disparos pela janela da casa dela por estar incomodada com o barulho da festa.

O marido da copeira, Francisco Feliciano, estava visivelmente abalado e disse que o protesto é para relembrar o ocorrido, que completa um ano no próximo dia 23. Ele lamentou que o caso ainda não tenha uma decisão definitiva da Justiça.

“Gostaria que estivesse resolvido. Trata-se de uma policial, uma servidora do estado. Hoje foi a minha esposa, amanhã pode ser minha família chorando. Não aceito a morte da minha esposa, a investigadora e o namorado dela premeditaram o crime”, disse.

O protesto foi realizado nesta sexta e não no dia 23 porque, no dia 20 de dezembro, o Tribunal de Justiça do Paraná entra em recesso. O pai da vítima, David Miranda, disse que depois de um ano da morte da filha a sensação é de impunidade, mas apesar da demora, ele acredita na condenação da policial.

“Queremos justiça. Ela já está na mão do juiz e promotor e só queremos que ela pague pelo o que ela cometeu. Não pode estar no meio da sociedade”, afirmou.

Em julho deste ano, o juiz Daniel de Avelar, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, decidiu levar a policial a júri popular. No entanto, de acordo com o advogado da família, Ygor Salmén, a defesa da acusada entrou com recurso para tentar evitar o julgamento e a data ainda não foi marcada.

Katia das Graças Belo será julgada por homicídio simples com dolo eventual, ou seja, ela não teve intenção de matar, mas assumiu o risco. O advogado questiona essa modalidade de crime e tentam fazer com que a justiça altere para homicídio qualificado.

“Houve uma decisão de pronuncia e a partir disso foram interpostos dois recursos, um pelo Ministério Público pedindo que coloque novamente as qualificadoras da primeira fase e o pedido da defesa da policial que pede que não seja júri popular. O projeto está em trâmite na primeira câmara federal”.

No dia 14 de dezembro, o Tribunal de Justiça do Paraná vai julgar se o pedido de prisão feito pelos assistentes de acusação é válido ou não. Caso o pedido seja negado, a acusação irá aguardar um novo posicionamento do Ministério Público. Enquanto isso, a policial civil Kátia dos Santos Belo permanece em liberdade.

Os familiares e amigos de Rosaira Miranda se concentraram com cartazes e apitos em frente ao local do crime, na rua Matheus Leme, no Centro Cívico. De lá eles passaram em frente à casa da policial civil e seguiram   para Tribunal de Justiça, onde deixaram flores em um ato simbólico para relembrar a morte da copeira.

 

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