Festival reúne filmes de quinze nacionalidades em Curitiba

Fernando Garcel


O Festival de Cinema Europeu traz à Curitiba entre terça-feira (14) e domingo (19) produções recentes de 15 países que estão fora do circuito comercial. O tema da edição é “convivência”. A mostra acontece na Cinemateca e os ingressos são gratuitos.

Ao todo, o festival traz 14 produções cinematográficas recentes da Romênia, Países Baixos. Portugal, Alemanha, Suécia, Espanha, Dinamarca, Itália. França, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Hungria e Áustria.

CapturarPromovido para celebrar o Dia da Europa, comemorado no dia 9 de maio, o Festival de Cinema está sendo exibido em várias capitais brasileiras desde o mês passado. Até o fim de junho o evento terá passado por nove cidades. “O objetivo é que o público conheça a produção atual do cinema europeu, além de chamar atenção para o trabalho feito pela Eunic”, explicou Paula Bacariza, da Embaixada da Espanha no Brasil.

Diferenças
Além de serem filmes de fora do circuito comercial do cinema, a curadoria do Festival escolhe as produções a partir de uma temática. Neste ano o tema é ‘Convivências’.

“O trânsito de pessoas aumentou drasticamente e a tecnologia tornou mais fluida a circulação de informações. Atualmente, a convivência se tornou intensa e, assim, está sendo necessária a observação das diferenças”, afirmou a curadora Daniela Marinho em carta de apresentação do festival.

Segundo Paula Bacariza, da Embaixada da Espanha, os filmes mostram a convivência entre pessoas diferentes em vários ambientes. “Pode ser dentro da família, entre diferentes classes sociais, entre diferentes espaços culturais”, antecipou.

O filme de abertura, exibido nesta terça-feira às 16h, é o romeno “O Casamento Silencioso”, de 2008. A Casa da Cultura Polônia Brasil também participa do Festival de Cinema, realizando hoje na Cinemateca a palestra “Grandes Cineastas poloneses”, com William Biagioli, às 20h. As exibições acontecem às 16h, 18h e 20h e são gratuitas.

Sinopses

Dia 14/06 às 16h
O CASAMENTO SILIENCIOSO (Romênia/2008, 16 anos, 87’)
Em uma pequena aldeia isolada, em 1953, um casamento é interrompido pela notícia sobre a morte de Stalin. Porque qualquer celebração pública é proibida, eles decidem transformar este evento feliz em um casamento em silêncio. Mas, quando os convidados bebem e se sentem bem, eles esquecem o voto de silêncio que fizeram e o “casamento silencioso” torna-se em uma verdadeira festa em seu próprio direito, com consequências trágicas. Um filme sobre o absurdo da história e como destinos individuais podem ser destruídos pela cegueira coletiva, sobre como a comédia animada pode degenerar em tragédia.

Dia 14/06 às 18h
SÓ O MELHOR PARA O NOSSO FILHO (Países Baixos/2014, Livre, 87’)
Kees tem 49 anos, é autista e ainda mora com seus pais. Mas o que acontecerá quando os pais do Kees, agora com 80 e 83 anos, não puderem mais cuidar dele? A cineasta Monique Nolte acompanha as tentativas dos pais do Kees de criar um futuro perfeito para seu filho autista.

Dia 14/06 às 20h
Palestra: “CINEMA POLONÊS: DOS DIRETORES CLÁSSICOS AOS CONTEMPORÂNEOS”
Com Willian Biagioli. Na palestra ele apresentará aspectos da tradição do cinema polonês, desde os diretores clássicos Kieslowki, Wadja, Has e Polanski até o cinema contemporâneo com o diretor Pawel Pawlikowski pelo filme IDA em 2015. Em seguida será servido um pequeno coquetel polonês.

Dia 15/06 às 18h
ARISTIDES DE SOUSA MENDES – O CÔNSUL DE BORDÉUS (Portugal/2011, 12 anos, 90’)
Com a invasão de França pelas tropas nazistas, milhares de refugiados começam a formar-se junto do consulado português em Bordéus, na esperança de obterem um visto para Portugal. Obrigado a respeitar a circular de Salazar que determinava a proibição expressa de concessão de vistos a quaisquer refugiados judeus, Sousa Mendes viveu, então, um terrível dilema: se concedesse vistos, arriscava a carreira diplomática e o sustento da sua família; se não o fizesse, todas aquelas pessoas teriam como destino os campos de concentração nazistas. Aristides de Sousa Mendes – O Cônsul de Bordéus, revisita a extraordinária história do herói português que salvou mais de 30.000 vidas durante a Segunda Guerra Mundial e desvenda a consciência e coragem de um homem que ousou desafiar Salazar inscrevendo o seu nome na história da humanidade.

Dia 15/06 às 20h
OCIDENTE (Alemanha/2013, 12 anos, 102’)
No fim dos anos 1970, na Alemanha Oriental, Wassilij (Carlo Ljubek)é um físico russo que vive com a esposa, Nelly Senff (Jördis Triebel) e o filho Alexej (Tristan Göbel). Ele frequentemente viaja para participar de conferências. Desta vez, não será apenas mais uma viagem, como a família pensa. O físico não voltará para casa. Três anos mais tarde, Nelly tem o objetivo de se casar com um homem do lado ocidental para Alexej ter uma vida melhor.

Dia 16/06 às 18h
UMA SEPARAÇÃO (Suécia/2014, Livre, 70’)
Tudo bem jogar fora seu velho vestido de casamento? O que fazer com as taças de cristal que ninguem quer? Uma Separação de Karin Ekberg é um documentário tragicômico que explora os últimos atos de um longo casamento. Um filme sobre a busca tentativa de um recomeço, quando algo – por fim e infelizmente – acaba.

Dia 16/06 às 20h
AS OVELHAS NÃO PERDEM O TREM (Espanha/2014, 12 anos, 103’)
Essa é uma comédia otimista sobre como uma turma de amigos, de uns 40 anos, afrontam as mudanças da sociedade atual. A falta de trabalho, a necessidade de se reciclar, as histórias de amor que poucas vezes seguem o “para sempre” e a sensação de que as coisas não são como tinham nos falado, cercam os personagens que lutam para reencaminhar as suas vidas, combinando situações do quotidiano com cenas surrealistas nas quais todos podemos nos identificar.

Dia 17/06 às 18h
O IDEALISTA (Dinamarca/2015, 10 anos, 114’)
Filme de suspense sobre um capítulo secreto da historia dinamarquesa do séc. XX. Durante a guerra fria um avião americano contendo bombas de hidrogênio sofre um acidente perto da base americana na Groenlândia. Diversos trabalhadores dinamarqueses são escalados para limpar o local do acidente. 20 anos depois, um velho trabalhador da base conta a um jovem jornalista sobre doenças estranhas e mortais que afetam seus companheiros e que poderiam estar associadas à carga contida no avião. O jornalista passa a investigar o caso e acaba descobrindo que o assunto tem o envolvimento tanto do governo dinamarquês como do governo americano.

Dia 17/06 às 20h
A VARIÁVEL HUMANA (Itália/2009, 14 anos, 83’)
Depois do assassinato, em Milão, de um empresário intimamente ligado à política, um delegado é forçado pelo superior a assumir o caso que logo se tornará muito delicado. Na mesma noite nos quartos da delegacia de polícia também entra Linda, sua filha, presa porque foi encontrada na posse de sua pistola de serviço.
A pesquisa o levará em contato com um mundo metropolitano decadente e corrupto e com implicações inesperadas que irão forçá-lo a enfrentar a sua vida pessoal e o seu papel de pai que tinha negligenciado após a morte de sua esposa.

Dia 18/06 às 16h
HOPE (França/2014, Livre, 86’)
Léonard salva Hope da morte em pleno deserto do Saara. Ele é camaronês, ela nigeriana, e os dois desejam abandonar a África e alcançar a Europa. Defendendo-se dos perigos da área hostil, eles firmam uma parceria que logo evolui para romance.

Dia 18/06 às 18h
FAIR PLAY (República Tcheca/2014, 12 anos, 100’)
Década de 80 na Tchecoslováquia. A talentosa jovem atleta Anna está selecionada para a equipe nacional e começa a treinar para se qualificar para os Jogos Olímpicos. Como parte da preparação, ela é colocada em um “programa médico” secreto onde é dopada com esteroides anabolizantes. Seu desempenho está ficando melhor, mas depois que ela entra em colapso no treinamento, descobre a verdade sobre as drogas. Anna decide continuar sua preparação sem os esteroides, embora sua mãe esteja preocupada que ela não se qualifique para os Jogos, que vê como a única chance da filha escapar da Cortina de Ferro.

Dia 18/06 às 20h
O LIMPADOR (Eslováquia/2015, 12 anos, 94’)
Tomás é um jovem não muito sociável. Ele vai ao psiquiatra, que é claramente obrigado a ir, e conta que às vezes sai para tomar cerveja com os amigos. Porém, na realidade, o hobby dele é ficar escondido e observar a rotina dos vizinhos. Até que um dia, Tomás se apaixona em um dos apartamentos em que observa. Kristina é o seu objeto de fascinação, ela mora com o irmão mais velho, e Tomás logo percebe que há algo de errado com esta família.

Dia 19/06 às 16h
FELIZ PARA MORRER (Eslovênia/2013, Livre, 100’)
Ivan, um professor da música aposentado, tem 76 anos e está cansado de viver. Por isso, compra uma tumba e entra num lar de idosos, já pronto para morrer. Porém, num curso da informática ele descobre a paixão de viver, joie-de-vivre, e em fim começa a viver.
Feliz para morrer é uma comédia dramática, inspirada pela vida real. É uma história de envelhecimento que quebra todos os estereótipos. É uma história que mostra que nunca é demasiado tarde para viver.

Dia 19/06 às 18h
AGLAJA (Hungria/2012, 16 anos, 116’)
Baseada em fatos reais, esta é a história da infância e adolescência de Aglaja, filha de uma família de artistas circenses do Leste Europeu. A família foge para a Europa Ocidental após cometer um roubo que os permite começar uma nova vida. Para alcançar o sucesso, sua mãe gasta todo o dinheiro da família para realizar um número perigosíssimo: ficar pendurada pelos cabelos no domo do circo. Toda noite, Aglaja é aterrorizada pelo medo de perder sua mãe.

Dia 19/06 às 20h
O VALE SOMBRIO (Áustria/2014, 12 anos, 115’)
Sam Riley é Greider, um forasteiro vindo dos Estados Unidos que se apresenta como um fotógrafo em uma vila. Sua intenção é pedir abrigo durante o inverno rigoroso, algo que consegue somente desembolsando todas as suas economias para Hans Brenner (Tobias Moretti), chefe de um grupo familiar que amedronta os moradores através de ameaças e, em casos mais extremos, violência. Logo comprovamos que Greider não é quem diz ser e há motivações obscuras por trás do seu interesse em visitar um local em que uma maioria é reprimida pelos Brenner. Ao desdobrar este mistério, Andreas Prochaska realça Luzi (Paula Beer), a figura feminina principal do filme, uma opção pouco usual para a narração em off. “O Vale Sombrio” garante autenticidade e tensão.

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