Suspeitos de matar fiscal de combustíveis vão a júri popular

Andreza Rossini


Narley Resende
A juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler, da 1ª Vara Privativa do Tribunal do Júri do Foro Central da Região Metropolitana de Curitiba, determinou que os quatro acusados de participar da morte do empresário Fabrizzio Machado da Silva, de 34 anos, sejam julgados por júri popular.

Fabrizzio presidia a Associação Brasileira de Combate a Fraudes de Combustíveis e foi morto a tiros em março de 2017, em Curitiba. De acordo com a polícia e com o Ministério Público o crime teve relação com a atividade de fiscalização contra fraudes de combustíveis exercida por Fabrizzio. Na época, os suspeitos foram presos, incluindo um empresário, dono de postos de combustíveis, que teria sido o mandante do crime.

O processo tem quatro réus. Dois deles estão presos: Matheus Willian Marcondes Guedes, conhecido como “Negueba”, de 19 anos, e Patrick Jurczyszin Leandro, o “Diabo Loiro”, de 23, que são acusados de serem os executores do crime. O empresário Onildo Chaves de Córdova II, 36 anos, dono de postos de combustíveis, é acusado de ser o mandante. O quarto acusado é Jefferson Rocha, que seria um intermediário do crime. Ele teria apresentado Patrick ao empresário Onildo.

O advogado Luis Roberto Zagonel, assistente de acusação contratado pela família da vítima, afirma que o júri popular já era esperado. “Uma decisão de pronuncia que remete os réus ao júri popular que é competente para julgar crimes dolosos tentados ou consumados contra a vida. Tanto o Ministério Público quanto a assistente de acusação estavam esperando essa decisão em decorrência da robustez dos indícios de provas que foram produzidas durante o processo”.

Fabrizzio Machado da Silva foi morto a tiros no dia 23 de março. O carro que dirigia foi atingido por outro quando ele estacionava em casa. Quando saiu para conferir o que havia acontecido, Fabrizzio foi baleado na cabeça. De acordo com a denúncia do Ministério Público, o empresário estava colaborando com a produção de uma reportagem de TV sobre fraudes de combustíveis em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Este seria um dos motivos do assassinato. Três horas antes de ser assassinado, ele havia feito o último contato com jornalistas.

O acusado de ser o mandante do crime conseguiu em dezembro o benefício de responder ao processo em liberdade. “O autor e o co-autor estão presos. Outro suspeito, Onildo, ficou preso durante grande parte do processo e o Tribunal decidiu soltar e manter com a tornozeleira eletrônica, sob alegações dele de problemas de saúde” explicou.

Ao todo, 30 pessoas já prestaram depoimento, entre testemunhas de acusação e de defesa. Os réus respondem pelo crime de homicídio qualificado, por emboscada e sem chance de defesa da vítima. A pena, em caso de condenação, varia de 15 a 30 de prisão. Dois dias depois da morte de Fabrizzio, a Polícia Civil deflagrou a operação Pane Seca, que interditou nove postos de combustíveis em Curitiba e Região Metropolitana e prendeu seis pessoas.

“Os delegados de policia que trabalharam no caso, o Ministério Público e o assistente de acusação: estamos convictos que o Onildo foi o mandante do crime. A operação Pane Seca que estava sendo feita, quando o Fabrício é assassinado ela foi adiantada e três postos do suspeito foram fechados”, afirmou.

Outro lado

Nos estabelecimentos alvos da Operação Pane Seca, os policiais encontraram combustível adulterado, com adição de álcool em excesso na gasolina, e adulteração de bombas de combustíveis. O advogado Rafael Guedes de Castro, que defende Onildo Córdova, nega o envolvimento do cliente nos crimes. Ele afirma que recebeu com surpresa a decisão da primeira instância para levar Onildo a júri popular.

“Durante todo o trâmite processual ficou provado que ele não tem absolutamente qualquer participação dos fatos da denúncia imputados no Ministério Público do Paraná. Nós, a defesa, ficamos surpreso com a decisão [do júri popular]”, disse.

O advogado afirma que Onildo nunca teve relação com nenhum dos outros réus na ação. A defesa deve entrar com recurso no Tribunal de Justiça para excluir a presença do empresário no júri. “Nenhuma ligação com os demais acusados. A defesa vai entrar com recurso dessa decisão e confiamos que os tribunais superiores vão reverter essa decisão da juíza de Curitiba”.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos outros três réus.

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