Franceses apresentam novo transporte público para Curitiba

Narley Resende


A empresa francesa NTL, fabricante de Veículos elétricos Leves sobre Pneus (VLP), apresentou nesta quarta-feira (8) seu projeto de implantação do sistema para Curitiba. Esse é o primeiro consórcio proposto desde que a Prefeitura de Curitiba lançou o edital de chamamento para interessados em participar do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para a implantação e operação de linhas de transporte público com acionamento elétrico (eletromobilidade). O PMI é uma espécie de concurso de ideias entre empresas interessadas e servirá de base para uma futura licitação do novo modal.

Até o dia 25 de julho as empresas em consórcio ou sozinhas devem apresentar propostas de manifestação de interesse no projeto que permite qualquer veículo que use eletromobilidade. A partir disso, uma comissão técnica da Prefeitura tem 30 dias para dar a nota e ver quem é o vencedor, para então, imediatamente ser lançada a concorrência pública.

Após o lançamento da concorrência, o prazo é de 50 dias. A previsão da Prefeitura é de que em novembro haja um projeto vencedor. “Se tudo correr bem, e ‘correr bem’ no Brasil hoje é uma expressão complicada, nós teremos o vencedor que já poderia, no começo do ano de 2017 já começar os trabalhos de engenharia e os trabalhos que precisa para fazer a obra”, afirma o secretário de governo Ricardo Mac Donald Ghisi.

Esse é o primeiro consórcio de empresas que se apresenta e a Prefeitura espera pelo menos outros três. “Esse é capitaneado pelas empresas francesas que têm a tecnologia do veículo. A parte de engenharia são empresas curitibanas”, afirma.

Há um grupo da China que já está rodando com veículo elétrico de demonstração em Curitiba, também se associando com empresários brasileiros. “Nós esperamos que também a Volvo, que é estabelecida aqui, e que tem o Biarticulado, dê esse próximo passo, já têm a tecnologia para isso, passando também para a eletromobilidade”, aposta.

O representante da empresa NTL no Brasil, Ricardo Ochoa, afirma que ainda é cedo para estabelecer valores. “Em relação a custos e prazos, tudo depende da demanda das linhas. São equipamentos que são feitos sob medida para atender determinada necessidade, já prevendo a expansão no futuro. É muito preliminar. Essa missão veio para conhecer esse projeto da Prefeitura. Hoje e amanhã vamos visitar as linhas para poder dimensionar o sistema, para ter uma ideia melhor de custo e prazo de implementação”.

VLPO PMI é uma espécie de concurso de ideias entre empresas interessadas e servirá de base para uma futura licitação do novo modal. A eletromobilidade pode comportar Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) ou Sobre Pneus (VLP), que, além de silenciosos e de não emitirem poluentes, podem alcançar capacidade de transporte quase duas vezes maior que a dos BRTs (Bus Rapid Transit).

VLP

A proposta lançada pela Prefeitura permite que soluções de transporte sobre trilhos também sejam apresentadas, mas a tendência é vencer o modelo sobre pneus. “Nossa proposta é aberta. Não limitamos apenas a pneu. Se tiver alguém que quiser apresentar sobre trilho, como é o exemplo do Rio de Janeiro, também é possível. O estudo mais avançado é sobre pneu”, diz o secretário.

“A pessoa entra no transporte sem subir nível nenhum, é a nível do chão. Esse veículos leves sobre pneus usam a energia elétrica. Basta o cabeamento e o veículo que eles estão apresentando hoje e nós fazemos a estação. A via, a Linha Verde já está sendo construída por nós”, afirma.

A implantação do sistema apresentado nesta quarta é a mais rápida entre as concorrentes. “É três vezes mais rápida que a construção do metrô e 25% do custo do quilômetro do metrô. Na Linha Verde basta fazer a guia central que dá toda a estabilidade ao veículo e fazer a catenária em cima. E as estações, que são de cimento ao nível da rua”, explica.

Ricardo Ochoa explica que o novo transporte pode ser moldado. “É como o BRT, só que modular, você tem vários módulos e pode adaptar, com veículos que vão até 40, 50 metros ou com 20 metros, dependendo da demanda. 100% elétrico. É mais parecido com metrô do que com o ônibus, apesar de andar na via”.

Pelo projeto francês, é um veiculo 100% elétrico, de piso baixo, com acessibilidade, sem nenhum tipo de plataforma para embarque e desembarque. O VLP francês é silencioso. “É um problema inclusive quando temos que implementar porque a cultura da população não está preparada para isso”, diz o representante da empresa.

Curitiba é vitrine 

“É o primeiro do Brasil. Temos referências, duas linhas em Paris que já utilizam essa tecnologia, que é a T5 e a T6. Existe uma linha que acabou de ser aberta em Medelin, aqui na Colômbia e existe outra linha na China, também onde nós já implantamos. Já temos referências globais desse produto. Curitiba é uma vitrine para o Brasil. Eu diria até para o mundo inteiro, em termos principalmente de transporte sobre pneus. É a nossa empresa vê como uma referência mundial e seria muito interessante obter esse projeto. Com certeza seria importante mostra para o mundo inteiro”, afirma Ochoa.

Recurso e empresas do consórcio

O recurso vem da iniciativa privada, de financiamentos de agências estrangeiras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e também da Prefeitura, que deve criar um Fundo Garantidor, que garante o período de um ano os pagamentos às empresas vencedoras. “É um processo feito a quatro mãos. Pode ser feito a seis mãos”, segundo o secretário.

Nessa proposta foi lançada a primeira possibilidade do Brasil de parceria com outras cidades que podem participar das decisões. A princípio, São José dos Pinhais, porque há uma linha que vai até o Aeroporto Internacional Afonso Pena; Colombo, porque a Linha Verde Norte pode ser ligada ao Jardim Maracanã e para frente; Araucária e também pode haver interesse do governo do Estado.

“Quando se monta um sistema desse, deve-se prestar atenção em três setores. O setor de engenharia que é de construção de onde vai passar a linha; setor de material rodante, que são os veículos; e quem opera. Os consórcios se formam justamente pegando expertises de várias empresas. As empresas curitibanas estão muito mais aptas a fazer as obras de engenharia. Agora, o veículo tem algumas empresas de São Paulo e tem da França, Itália, China, além de operadores do mundo inteiro, por isso permitimos aqui o consórcio”

Interfederatividade

O prefeito Gustavo Fruet (PDT) se reuniu nessa terça-feira (7) com o governador Beto Richa (PSDB) para falar sobre essa possibilidade. O governo, por meio da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) poderá participar do processo. “A palavra é ‘Interfederatividade’. Outros órgãos da Federação podem participar do processo com direito a voz e voto. Participam de todas as decisões dessa Parceria Público-Privada”, explica Ricardo Mac Donald.

Linhas

curitibaQuatro linhas foram propostas e as empresas podem sugerir uma quinta linha. Serão apresentadas as soluções técnicas, os dados econômicos e a configuração jurídica. “Nas condições técnicas e econômicas pode surgir por análise deles uma linha que a Prefeitura não está observando”, diz o secretário de Governo.

Quando foi feita em 2010 a concorrência do transporte público atual, ficou ressalvado que quando Curitiba adotasse novos modais, poderia adotar livremente sem indenizar qualquer empresa que estivesse fazendo o transporte de passageiros. “Como estamos apresentando um novo modal, evidentemente as empresas de transporte que fazem algumas linhas seriam remanejadas, sem direito a nenhuma indenização, como foi dito na concorrência passada”, afirma.

“O mapa, com as quatro linhas que se integram. O BRT tem capacidade de 15 mil passageiros hora. Esse tem capacidade de 25 mil passageiros hora. Há vários cruzamentos de linhas e estações de integração. Com a mesma passagem, o cidadão de Curitiba pode andar no BRT, no Expresso, e no Veículo Elétrico sobre Pneus”.

Os quatro trajetos pré-definidos são: a) Terminal CIC – Centro de Feiras (a ser construído no Parque da Imigração Japonesa). Na hipótese de uma abordagem metropolitana, o trajeto poderá se estender até o Aeroporto Affonso Pena e, na ponta Sul, até o Município de Araucária. b) Barreirinha – Marechal Floriano – da divisa com Almirante Tamandaré até a Linha Verde, na altura da estação Marechal Floriano. c) Aeroporto – Centro Cívico. As propostas podem seguir dois traçados: 1) Centro Cívico – Boqueirão, via Marechal Floriano (estação Wilson Dacheaux); e 2) Centro Cívico – Centro de Feiras (Parque da Imigração Japonesa), via Avenida das Torres. Em ambos os casos, caso se opte por uma abordagem metropolitana, o trajeto poderá estender-se até o Aeroporto Affonso Pena. d) Linha Atuba – Tatuquara. Parte da estação Atuba e segue por toda a extensão da Linha Verde.

No caso de uma abordagem metropolitana, o itinerário poderá ser estendido até Colombo e Fazenda Rio Grande. Capacidade Em termos de número de passageiros, os veículos leves sobre trilhos ou pneus se enquadram como de média capacidade, ou seja, se situam entre o metrô e os BRTs. Segundo dados da Urbs, a capacidade de transporte deste modal é da ordem de 25 mil passageiros/hora; o BRT – no eixo sul, o mais carregado do sistema, com um biarticulado por minuto – pode transportar aproximadamente 15 mil passageiros/hora e o metrô, 45 mil passageiros/hora.

 

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