Funcionária denuncia falta de materiais no Hospital de Clínicas

Francielly Azevedo


Da CBN Curitiba

A falta de materiais básicos pode colocar em risco parte do atendimento no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. A denúncia foi feita à CBN Curitiba por uma profissional da área de enfermagem que pediu para ter a identidade preservada.

Segundo ela, nos últimos meses, a administração de quimioterapia já vinha sendo feita sem os materiais adequados, mas agora até os itens que passaram a ser empregados de maneira improvisada estão no fim.

“A nossa preocupação maior é essa que o nosso o paciente, aquele que já tem tratamento de dentro do HC, não consiga mais receber atendimento por falta de material. Nós enfermeiros geralmente conseguimos improvisar alguns materiais, mas está chegando em um ponto que não tem mais o que fazer”, desabafa.

É justamente esse “jeitinho” que vinha sendo utilizado. A enfermeira trabalha com pacientes que fazem quimioterapia e precisam de punção de cateter totalmente implantado para receber a medicação.

“Esses pacientes não estão sendo bem atendidos pela falta de uma agulha chamada ‘huber’, que é uma agulha própria para que seja puncionado esse cateter. Nós nos últimos meses estamos usando um ‘scalp’, que não é a agulha ideal. Nós estamos usando para que esses pacientes não fiquem sem a quimioterapia. Agora, nós fomos informados pelo almoxarifado do hospital que nós não temos mais esse ‘scalp'”, conta.

A situação é crítica, de acordo com ela, por causa da importância do procedimento que acaba por ser inviabilizado pela falta dessas agulhas. Mas a lista de itens escassos é mais longa e atinge o HC como um todo, diz a profissional.

“Todos os pacientes do hospital estão sendo afetados – os pacientes de ambulatório e os internados. Nós fizemos uma visita por alguns andares, tentamos emprestar esse material que está faltando, e em todos os setores que nós passamos as enfermeiras e as técnicas nos informaram que os materiais estão faltando em todo o hospital. Não é só essa agulha, não é só o ‘scalp’, falta soro, falta luva, falta algodão, falta gaze, falta todo material necessário para um bom atendimento ao paciente”, explica.

Precarização do atendimento

De acordo com a enfermeira, pouco se sabe sobre o motivo da falta de materiais para o atendimento aos pacientes. Ela afirma que não há resposta quando se procura pelo almoxarifado e a preocupação é com a precarização no tratamento oferecido.

“Nós queremos crer que o hospital tem se esforçado, mas não tem sido feito repasse. Nós não temos certeza sobre isso. Mas o que é o pior para nós, funcionários de tantos anos de hospital, é saber que os nossos pacientes não estão sendo bem atendidos pela falta de material”, lamenta.

José Carlos de Assis, coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Paraná, o Sinditest, confirmou a situação relatada pela funcionária do Hospital de Clínicas.

“Inclusive nós recebemos denúncia da falta de cateter para quem faz quimioterapia. Realmente tá faltando. É um cateter que chama cateter totalmente implantado, daquele que já fica no paciente que faz quimioterapia. Não tem esse material. As pessoas não estão podendo fazer quimioterapia pela falta desse material”, afirma.

O coordenador do Sinditest ainda revelou que existe freqüente falta de materiais no HC. E que isto acontece em várias áreas do hospital, conforme denúncias dos funcionários para o sindicato.

“Por questão de falta de material, no geral do hospital, ela está bem recorrente. Desde que esse hospital foi cedido para a empresa que tem um modelo de administração que tem um modelo produtivista, que tem metas, visão de lucro e que não tem nada a ver com hospital escola. Falta coisas simples, as vezes uma luva, seringa. Porque eles fazem aquelas compras programadas em quantidade, para gastar pouco e com materiais de péssima qualidade. Então infelizmente essa falta está recorrente no hospital”, relata.

A assessoria de comunicação do Hospital de Clínicas foi procurada sobre a denúncia da funcionária e informou que o problema não foi identificado e, por isto, a instituição não teria como se pronunciar. A reportagem da CBN questionou também sobre a declaração dada pelo diretor do Sinditest, mas o Hospital de Clínicas não repassou uma posição sobre o assunto.

 

 

 

 

Previous ArticleNext Article
Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
[post_explorer post_id="438581" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]