Greca acusa Fruet de deixar dívida bilionária na prefeitura de Curitiba

Jordana Martinez


Andreza Rossini e Jordana Martinez

Ao anunciar o resultado da análise das contas municipais, o prefeito de Curitiba Rafael Greca (PMN) acusou a gestão de Gustavo Fruet (PDT) de ter deixado uma dívida de R$ 1,27 bilhão.

De acordo com o relatório produzido pela nova equipe, o rombo fere a Lei de Responsabilidade Fiscal já que metade da dívida não tem o instrumento legal para pagamento.

Segundo o prefeito, a cidade alcançou o limite de responsabilidade fiscal: “Tudo isso será encaminhado para o Ministério Público, para a câmara e os tribunais”, afirmou.

“O ex prefeito me questionou durante as eleições falando que eu não cumpri a lei de responsabilidade fiscal. Na minha gestão passada não tinha lei de responsabilidade. Queria que o Fruet me respondesse como ele deixou de cumprir a lei que ele tanto se orgulhava”, questionou.

Durante a coletiva, Greca ainda citou diversas obras paradas, falta de medicamentos nos postos de saúde e outros problemas da capital.

De acordo com o secretário de finanças, planejamento e orçamento, Vitor Puppi, será necessário fazer um “corte de responsabilidade” entre a gestão passada e a nova gestão.

powerpoint
PowerPoint “modelo Lava Jato”, para explicar supostos gastos abusivos

LRF limita reajustes

Greca aproveitou o anúncio do balanço para justificar um possível atraso nos reajustes dos servidores.

“A minha vontade é conceder o reajuste de inflação para os funcionários em março, mas isso vai depender da evolução dá arrecadação, das despesas do município, da interpretação do TC  (Tribunal de Contas) da Lei de Responsabilidade Fiscal. Talvez nós tenhamos que postergar esse reajuste”, afirmou.

Greca também anunciou um pacote de medidas que será encaminhado à Câmara Municipal de Curitiba: “uma espécie de Lei de Responsabilidade da prefeitura de Curitiba”, explicou. E acusou a gestão passada de fazer gastos abusivos: “Tem uma mina de ouro em Curitiba, mas não é minha, é da iniciativa privada (…) vou desalugar imóveis milionários e locar lugares mais adequados para os prédios dá saúde. Hoje a prefeitura gasta cerca de R$ 2 milhões com os alugueis desses prédios”,  disse.

Segundo o prefeito, a intenção é pagar primeiro os pequenos credores para depois negociar com os grandes credores de Curitiba.

Medidas Amargas

O prefeito também afirmou que as dívidas vão levar a administração municipal a tomar “medidas amargas”, inclusive no subsídio com o transporte público da capital, que já vive um cenário de crise.

Fruet rebate

Em nota à imprensa, o ex-prefeito Gustavo Fruet rebateu as acusações. Segundo ele, as acusações são “justificativas para o não cumprimento das promessas inexequíveis de campanha”.

Veja a nota na íntegra:

“Estão criando justificativas para o não cumprimento das promessas inexequíveis de campanha. Ao longo do processo eleitoral, enquanto muitos prometiam terreno na lua, sempre mantive a responsabilidade em relação ao momento econômico do país, que impõe sérias restrições às administrações municipais. Essa responsabilidade contribuiu para nossa derrota nas eleições. Mas sigo em paz por ter trabalhado sempre com a verdade.

Mesmo administrando a cidade em meio a pior crise econômica da história recente, com três anos de queda no PIB, deixamos a Prefeitura com dívida semelhante a que assumimos corrigida pela inflação e destaquei isso no final do ano. Tudo foi regularmente informado aos órgãos de controle. Se não tivéssemos herdado um passivo superior a meio bilhão de reais, teríamos entregado sem dívidas. E não misturamos, com clara má-fé, dívida flutuante, fundada e não empenhada como apresentada na coletiva desta tarde.

Importante destacar que em quatro anos, saímos de um déficit primário de R$ 40 milhões (2012) para um superávit primário superior a R$ 400 milhões.

Além disso, na gestão 2013/2016, por força de uma Lei proposta e aprovada em 2008 durante a gestão Beto Richa que estava em débito com o Instituto de Previdência dos Servidores (IMPC), repassamos ao IPMC 70% do volume total existente no fundo, que saltou de R$ 900 milhões (dezembro 2012) para R$ 2,3 bilhões (dezembro 2016). Na parte de pessoal respeitamos o preconizado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e os limites prudenciais. Com responsabilidade, cortamos excessos e gorduras e economizamos mais de R$ 1 bilhão em despesas de custeio.
Extinguimos cinco Secretarias, entre elas a da Habitação.

Herdamos uma estrutura inchada e comprometida. No Instituto Curitiba de Saúde (ICS), por exemplo, mudamos a gestão e saneamos as finanças. Em outra frente, atuamos também no incremento de receitas, que garantem, somente em 2017, R$ 300 milhões extras para os cofres da cidade, com a revisão da planta genérica – que não era feita há 13 anos – e modernização da administração tributária.

Também deixamos mais de R$ 400 milhões em caixa em recursos carimbados em diferentes fontes. Não é por acaso que todas essas “denúncias” surgem às vésperas do provável aumento da tarifa de ônibus. Esse filme a cidade já conhece. Por fim, aproveito a ocasião para lembrar que, às promessas não cumpridas, soma-se a de abrir a chácara após as eleições para perícia e acompanhamento da imprensa nas obras de arte suspeitas de serem do acervo da Prefeitura”.

Previous ArticleNext Article
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
[post_explorer post_id="411549" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]