Greca esvazia bares da rua onde mora

Narley Resende


Uma operação policial na noite dessa quinta-feira (12), na Avenida Vicente Machado, onde mora o prefeito Rafael Greca (PMN), no bairro Batel, provocou polêmica em Curitiba. Quatro estabelecimentos foram fechados, um deles tinha dois CNPJs. De acordo com a Prefeitura de Curitiba, os comércios estavam sem alvarás de funcionamento válidos.

Frequentadores de bares da região, associações de comerciantes e apoiadores do processo de ocupação de espaços urbanos questionaram a ação. Nos últimos anos, a Avenida Vicente Machado tornou-se um local onde as pessoas ficam na rua enquanto consomem de bares e estabelecimentos abertos.

Neste início de ano, época de férias para boa parte da juventude, a região fica ainda mais movimentada. Em meio a esse contexto, a batida policial ocorreu por volta das 21h dessa quinta.

Um dos bares mais conhecidos da região, o James Bar, que fica próximo do prédio onde mora o prefeito Rafael Greca, está entre os estabelecimentos fechados. Também foram interditados dois postos de combustíveis do Batel e uma ‘casa de drinks’ na região do Terminal Guadalupe.

Os frequentadores do James não puderam entrar no local que promovia um evento beneficente. O evento teve que ser transferido para outro bar na região central.

Na páginas do evento no Facebook, um texto pede desculpas aos clientes, mas afirmando que a festa não poderia parar.

Toda a renda do evento será revertida para o projeto Teto Brasil, um organização social que trabalha pela defesa de pessoas que vivem em favelas. “Greca fechou nossa festa beneficente”, reclamou Virgínia Bastos, frequentadora do local.

Moradora da região, a advogada Carla Karpstein escreveu que o local sofre com a presença de criminosos. “Aquilo dali virou um ponto de tráfico e assaltos à noite. Os bons pagam pelos maus, passar a pé a noite é tipo aventura”, escreveu.

“Ponto de tráficos e assaltados sempre foi. Mas fechar lugar que sempre existiu, não há razão alguma. principalmente quando se tratava de uma festa beneficente”, rebate a frequentadora.

A prefeitura informou que após a regularização dos alvarás, os cinco bares fechados voltarão a funcionar. O prazo para reabertura pode variar entre 48 horas até 15 dias, dependendo de cada situação. A operação também teve 17 autuações administrativas e 20 autos de infração de trânsito.

“Casa do Greca”

Em declaração dada em entrevista ao colunista Reinaldo Bessa, do jornal Gazeta do Povo, Greca disse que “se a balada começa às seis da tarde, pode terminar à meia-noite”. O prefeito manifestou insatisfação com o movimento noturno na região onde mora. Desde o dia 2 de janeiro, Greca se recupera em casa após ser internado para tratar uma tromboembolia pulmonar.

Segundo Greca, a “balada” poderia se encerrar à meia-noite em Curitiba, por motivos de segurança. O prefeito eleito citou exemplos de outras cidades que já fariam isso com sucesso.

Respondendo a centenas de comentários que questionaram a operação, Greca disse na manhã dessa quinta que era contra “ambulantes que não geram empregos, vendem bebidas falsificadas e vencidas, não geram nenhum ganho ao erário, e causam perturbação do sossego”.

Pela manhã o prefeito postou a seguinte mensagem: “Ato de Defesa Social, a operação Balada Protegida feita ontem não é contra os jovens /nem contra os bares/é a favor da vida urbana sem medo. Não aconteceu pq.é perto de minha casa. Eu durmo muito bem. Balada não me incomoda. Tiros e vítimas fatais nas esquinas sim. Morreram 3 atirados no ano passado. Cigarros e bebidas falsas também fazem mal. Drogas matam.”, escreveu o prefeito.

Associação reage 

O presidente da Abrabar (Associação de Bares, Restaurantes e Casas Noturnas do Paraná), Fabio Aguayo, disse que pretende acionar a Justiça para evitar abusos contra estabelecimentos.

“Desde a tragédia da Boate Kiss, somos a favor de separar o joio do trigo, de cuidar da segurança do frequentador. Nós já pagamos todas as taxas da prefeitura, não somos responsáveis pelo que acontece lá fora”, protesta.

O presidente da Abrabar marcou uma audiência com o secretário municipal de Defesa Social, Algacir Mikalowski. A reportagem também aguarda entrevista com o secretário.

Em nota, a Abrabar reforça que “é a favor de fiscalização nos estabelecimentos, mas entende que o trabalho deve começar pelo comércio informal. Para ele, questões burocráticas podem ser resolvidas por agentes de fiscalização em outros horários do expediente, sem afetar o funcionamento destas casas à noite”.

“A balada protegida é uma ação de marketing e não é assim que deve ser. Vai muito além. A balada protegida é a segurança do entorno”, analisou Aguayo.

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Resultado da operação

Participaram da operação a Polícia Militar, Guarda Municipal, Vigilância Sanitária, secretarias municipais de Trânsito do Meio Ambiente.

Segundo a Prefeitura, foram selecionados nove pontos para fiscalização nas proximidades do Terminal do Guadalupe e na Avenida Vicente Machado. O comércio ambulante também foi fiscalizado.

De acordo com o balanço da operação, 615 pessoas foram abordadas, cinco estabelecimentos foram fechados, 17 multas administrativas e outras 20 relacionadas à infrações de trânsito foram emitidas. Além disso, 1085 DVDs piratas e 916 carteiras de cigarro foram apreendidas. Cinco pessoas foram detidas, entre elas um menor de idade.

A reportagem tenta contato com os proprietários dos bares afetados pela operação e aguarda entrevista com representante da Prefeitura de Curitiba.

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