HC vai passar a receber recursos do HospSUS

Mariana Ohde


A partir deste mês, o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, vai passar a receber recursos de custeio através do programa HospSUS, do governo do estado. Serão R$ 340 mil por mês, cerca de R$ 4 milhões ao ano. O objetivo é auxiliar na manutenção das atividades do hospital, referência estadual em diversas áreas do Sistema Único de Saúde (SUS).

A formalização do convênio já foi autorizada pelo governador Beto Richa, tendo em vista a situação que o hospital enfrenta, com falta de medicamentos e outros itens. “Trata-se de uma ação emergencial para ajudar no resgate do Hospital de Clínicas, que é um dos mais importantes hospitais do país. Queremos que o HC volte a ser protagonista na rede pública de saúde do estado”, afirmou o governador.

Atualmente, o serviço é referência no atendimento de urgência e emergência, recebendo vítimas de acidentes de trânsito, violência e outros traumas. Além disso, o hospital integra a Rede Mãe Paranaense, com a assistência integral a gestações de alto risco. De acordo com o secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, o Hospital de Clínicas também se destaca na área de especialidades, recebendo diariamente pacientes de todo o Estado. “A expertise dos profissionais que atuam no HC fez com que o hospital se tornasse um dos principais destinos de quem precisa de consultas, exames e tratamento especializado”, explicou.

Medicamentos

Atendendo a um pedido da direção do Hospital de Clínicas, a Secretaria Estadual da Saúde também enviou, nesta quarta-feira (11), um lote com 27 tipos de medicamentos e uma série de materiais médicos-hospitalares para suprir uma necessidade emergencial da unidade. O investimento foi de R$ 94 mil. Entre os itens estavam sondas, bisturis, termômetros, ataduras, catéteres, agulhas, talas, drenos, seringas, luvas cirúrgicas, compressas e outros materiais básicos que serão distribuídos para diversos setores do hospital.

Segundo o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, a ajuda veio em boa hora. “Enfrentamentos uma crise de abastecimento, com falta de insumos no HC e na Maternidade Victor Ferreira do Amaral. Por isso, estamos buscando parcerias e lutando para solucionar essas questões o mais rápido possível”, disse ele.

Greve

Além da falta de materiais, o hospital enfrenta, hoje, outro impasse. Os funcionários da Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar) que trabalham no HC entraram em greve por tempo indeterminado nesta segunda-feira (9). De acordo com a categoria, a administração da Funpar se recusa em negociar com o sindicato um acordo coletivo de trabalho com data-base no dia 1º de maio.

O HC é o maior o maior hospital público do Paraná, com mais de 1 milhão de atendimentos por ano, e os grevistas representam 1/3 dos trabalhadores de todos os setores do hospital. Dos 3.132 trabalhadores, 851 são contratados pela Funpar. De acordo com a Funpar, os funcionários vinculados a fundação devem ser representados por outra entidade laboral, conforme decisão judicial. Sendo assim, a fundação não pode negociar as reivindicações da categoria com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação nas Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Paraná (Sinditest-PR), que representa a categoria.

Por outro lado, o Sinditest-PR afirma que a direção da Funpar mente ao afirmar que o sindicato não representaria a categoria. “Em nenhuma parte do processo, composto por 17 páginas, é feita qualquer menção ao Hospital de Clínicas, menos ainda, à sua representação legal pelo Sinditest. A ministra se ateve a responder a solicitação feita quanto à representação do Sinditest aos trabalhadores do Vitor Ferreira [do Amaral]”, diz em nota.

No mês passado, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu que as negociações da Universidade Federal do Paraná, com os trabalhadores, passem a ser feitas exclusivamente via Senalba, o Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativa, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional no Paraná.

A entidade já existia, mas tinha menor representatividade entre os funcionários. Mas foi a análise do tribunal que determinou que o Senalba é o representante legítimo dos trabalhadores, tanto da Funpar, quando do Complexo Hospital de Clínicas. Na visão do Sinditest, o imbróglio judicial não pode atrasar as negociações do acordo coletivo.

Com a greve os atendimentos no hospital estão parcialmente afetados. Os trabalhos nas áreas de enfermaria e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estão atendendo normalmente, mas a central de agendamento de consultas e internamentos está totalmente paralisada.

Previous ArticleNext Article
Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal