Prejuízo milionário: Inquérito que investiga a agência de turismo está em fase final

Fernando Garcel


O inquérito que tem como alvo a agência de turismo Interlaken está em fase final. Em dezembro do ano passado, a empresa anunciou seu fechamento por meio das redes sociais e deixou clientes com um prejuízo estimado em cerca de R$ 2 milhões.

Desde que o caso envolvendo a agência de chegou a polícia, a seis meses, cerca de 250 pessoas prejudicadas foram identificadas. A empresa atuava no mercado há mais de trinta anos, e no dia 26 de dezembro anunciou o fechamento pelo internet. Até as vésperas do Natal a agência continuou vendendo pacotes de viagem.

Na publicação do Facebook, a agência disse que fechou por conta da crise econômica e da alta do dólar, mas prometeu ressarcir os clientes prejudicados. Nas lojas físicas, os clientes encontraram apenas um bilhete com a mesma mensagem. “Após 30 anos de serviços prestados ao segmento de turismo, infelizmente encerramos as nossas atividades em função da crise econômica”, diz trecho.

Reprodução / BandNews
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Na época, pessoas que já estavam com viagens programadas chegaram a protestar em frente a uma das sedes da Interlaken.

A Delegacia do Consumidor é responsável pela investigação. Entre as vítimas ouvidas pela polícia estão pessoas que visitariam familiares em outros países, casais comemorando a Lua de Mel e até um idoso, que gastou cerca de R$ 70 mil para viajar com a esposa que está com câncer.

O Delegado Guilherme Rangel finaliza o inquérito policial e fala que, de acordo com os indícios analisados, a empresa enganou os clientes. “A gente caminha para o indiciamento dessas pessoas. Elas realmente praticaram o crimes contra o consumidor, ludibriando os consumidores no momento de dificuldade econômica da empresa. Em vez de fechar a empresa através de um procedimento de falência ou recuperação judicial, eles mantiveram as lojas abertas e efetuaram as vendas mesmo sabendo que não poderiam arcar com esses contratos”, diz Rangel.

No início das investigações, os sócios da agencia chegaram a ser presos e tiveram seus bens e contas bloqueados pela justiça, mas segundo o delegado o valor dos bens não deve cobrir o prejuízo das vítimas, que ultrapassa os R$ 2 milhões. “No momento da prisão temporária, a gente pediu o bloqueio dos bens da empresa e das pessoas físicas envolvidas. A gente tentou fazer isso para resguardar o direito das vítimas para uma indenização, mas acho que o valor dos bens não vai cobrir o valor total dos prejuízos”, afirma.

O advogado de defesa da Interlaken, Rafael Nunes, afirma que a empresa não agiu de má fé e que o fechamento se deu apenas por questões financeiras. “Foram dificuldades financeiras. Todas as informações que o delegado e o Ministério Público requereu foram prestadas”, diz.

Desde o inicio das investigações, cerca de 300 pessoas foram ouvidas, entre vítimas, testemunhas e acusados. O inquérito conta com vinte volumes e deve ser concluído nas próximas semanas. Os sócios da Interlaken podem ser condenados pelos crimes de estelionato, associação criminosa e publicidade enganosa.

Além das pessoas que compraram passagens e hospedagem e perderam o dinheiro, há, também, relatos de débitos dobrados e até triplicados no cartão de crédito. Relembre:

Sonhos perdidos

As amigas Cristiane de Lima e Sandra Falate, professoras, estavam com a viagem marcada para Cartagena, na Colômbia, e tiveram de amargar – além do prejuízo, o sonho indo por água abaixo.

20151226142622-300x300“Descobri no fim do ano, estava na praia, e descobri a notícia pela internet. Começamos a ligar um para o outro e vimos que já estava no noticiário, no Facebook, o pessoal estava se movimentando. Entrei em contato com a Marcele (dona da agência), ela respondeu que depois de 30 anos não tinham mais condições, mas eu questionei por que ele vendeu os pacotes se não tinham intenção de cumprir. Ela disse que em nenhum momento pensou que não seriam cumpridos”, conta.

Além do caso das professoras, o delegado conta que outros casos também chamaram atenção. “Atendi uma senhora que ia comemorar 20 anos de casada com o marido, na Itália, não pode mais ir. Outro senhor que levaria a esposa com câncer para passear para dar um tempo no tratamento de uma doença tão complicada; padrinhos de casamento que deixaram de participar da cerimônia no Nordeste. Várias situações. Recebemos os irmãos que visitariam os parentes no Japão. Muitos se emocionaram durante os relatos”, lamenta o delegado.

Com informações de Ana Krueger

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