Incêndio no Parolin pode ter sido causado por velas; moradores precisam de ajuda

Narley Resende


Um incêndio no bairro Parolin, em Curitiba, nesta sexta-feira (17) à noite, deixou 56 pessoas desalojadas. Pelo menos 14 casas foram afetadas e sete ficaram completamente destruídas. O Corpo de Bombeiros concluiu o rescaldo durante a madrugada deste sábado (18).  O fogo começou por volta de 20h30 de sexta em um beco da Rua Chanceler Lauro Muller.

Uma vela acesa teria causado o início do incêndio. Moradores relataram que uma mulher, que morava em uma das casas com três crianças, estava sem lâmpadas e usava velas para iluminar os cômodos. Oficialmente, no entanto, as causas do incêndio só serão confirmadas após um laudo do Corpo de Bombeiros e do Conselho de Edificações e Imóveis da Prefeitura.

Não houve vítimas fatais, porém, uma pessoa ficou ferida, com pequenas escoriações e três tiveram intoxicação por fumaça (uma mulher, um policial militar e um bombeiro). As quatro pessoas foram atendidas no local pelo SAMU e liberadas.

O cuidador de carros Jair José Amaro perdeu tudo o que tinha. Ele morava em uma das casas com a esposa e três crianças.

“A vizinha gritou que estava pegando fogo na casa lá da ponta. A gente foi tentado salvar o que deu nas primeiras casas. Até então não pensei nem na minha. Fui ajudando de lá pra cá. Quando vi tomou conta. Queimou a primeira, já pegou a segunda, é tudo perto, não tem distância de uma casa para outra. Os vizinhos deram uma força legal, ajudaram a tirar o bujão, fogão, o que deu. O principal foi tirar as crianças. Tem muita criança lá. Na minha casa sou eu, minha esposa e duas crianças: uma recém-nascida e uma filha de cinco anos. Eu estou agora na casa da minha cunhada, até poder construir de novo”, afirma o morador.

Incêndio no Parolin Reconstrução e ajuda

O diretor comercial da ONG Teto,  Lucas Kogut, esteve no terreno para fazer um levantamento de danos e moradores afetados. Ele afirma que o grupo vai reunir voluntários em uma comissão emergencial para arrecadar fundos para reconstrução das casas. Desde outubro de 2016, o projeto, que é internacional, já construiu 40 casas para famílias carentes na região. Neste primeiro momento, as arrecadações são direcionadas aos itens mínimos de ajuda.

“Levantamento das famílias que perderam tudo e que tiveram perdas parciais, para saber quais as carências neste primeiro momento, para embasar a campanha de arrecadação”, afirma o presidente da ONG Teto.

Quem quiser ajudar na reconstrução das moradias, por meio de trabalho voluntário ou com dinheiro, pode entrar em contato pelo e-mail “parcerias.pr@teto.org.br”.

Inicialmente, os moradores desalojados se abrigaram em residências de amigos e familiares.

Ação da polícia

No momento do incêndio, vizinhos se mobilizaram não apenas para ajudar a salvar o que fosse possível, mas também para impedir o avanço do fogo para outras casas. Uma das moradoras, que teve a casa parcialmente atingida, reclama da ação da polícia.

“A polícia chegou gritando, batendo em todo mundo, fazendo todo mundo sair. Nós estávamos tirando as coisas, tentando salvar. Eles não queriam nem saber. Meu piá apanhou, meu sobrinho apanhou, várias pessoas que estavam aqui apanharam muito da polícia. Eles [policiais] não queriam que ficasse na casa, mas estavam tentando apagar o fogo, pra não chegar o fogo aqui, né”, justifica.

Procurada, a Polícia Militar (PM) recomendou que moradores que tenham se sentido coagidos procurem a Corregedoria para formalizar uma denúncia.

Um dos moradores, Osvaldo Amaro, conta que que perdeu tudo o que tinha. No caso dele, não deu tempo de salvar nada. Segundo ele, o fogo começou na primeira casa de uma sequência, em uma fila de imóveis que havia no terreno.

Causas do incêndio

A área tomada pelo incêndio é conhecida como Morro do Sabão, um espaço muito adensado, o que deve ter contribuído para a propagação do incêndio. A principal suspeita é a de que uma vela tenha começado o incêndio.

“Começou na primeira casa, lá da frente e foi espalhando. Uns estão falando que foi por causa das velas, que esqueceram, deixaram acesas. A casa tinha luz, mas não tinha foco para acender”, apontou Amaro.

Amaro perdeu tudo. “Morava eu, minha mulher e três filhos.  Só deu tempo da mulher pegar eles. A gente fica sem saber o que fazer agora”, lamenta.

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Neste sábado de manhã, parte dos afetados se encontrou no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do Parolin para receber roupas e mantimentos. As famílias atingidas são todas de baixa renda.

Segundo a prefeitura, a Secretaria Municipal do Abastecimento dispôs alimentos enquanto a Secretaria Municipal da Saúde atendeu uma gestante e três recém-nascidos cujas moradias foram destruídas.

De acordo com a prefeitura, a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) fará o levantamento das informações das famílias para providenciar aluguel social e kits da FAS para a reconstrução das casas.

Quem quiser ajudar as famílias afetadas pode entrar em contato com o CRAS do Parolin ou com a ONG Teto.

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