“Difícil de engolir”, desabafa Christiane Yared antes do juri

Jordana Martinez


Quase nove anos e 35 recursos depois,  irá a juri popular, nesta terça-feira (27), o ex-deputado Carli Filho, acusado de provocar o acidente que matou Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida, em 2009.

Será um dos julgamentos mais esperados da história do Paraná. Sete pessoas comuns vão decidir se o ex-deputado assumiu, ou não, o risco de matar ao conduzir um Passat blindado a mais 160 km/h, com a carteira cassada, depois de ingerir quatro garrafas de vinho junto com amigos.

Carli Filho é réu por duplo homicídio com dolo eventual pela morte dos jovens. A defesa mantém segredo sobre a presença do ex-deputado no julgamento, já que a lei não obriga o réu a comparecer ao júri.

Em entrevista ao Paraná Portal, a deputada Christiane Yared, mãe de Rafael, desabafou ao saber que Carli Filho poderá não estar sentado no banco dos réus.

“É difícil de engolir… depois desse tempo todo, 9 anos, 35 recursos, todos os familiares presentes, amigos, os jurados… e não vamos nem ouvir a versão da boca dele, é uma falta de respeito. É a terceira vez que o júri foi marcado e cada vez é um sofrimento para a família”, disse.

Cinco anos depois da tragédia, Christiane Yared foi eleita a deputada federal mais votada do Paraná. Fato que deve ser usado no tribunal pela defesa. Os advogados argumentam que a Carli Filho foi vítima de uma campanha negativa que fez de Christiane Yared a deputada federal mais votada do Paraná em 2014.

Yared ironiza a estratégia da defesa; “eu deve ter planejado tudo isso né… a morte do meu filho… na verdade a minha vida pública surgiu cinco anos depois, quando eu percebi que precisava agir para mudar essa cultura da bebida e direção nesse país. A mensagem que esse juri vai deixar será muito importante… que as pessoas não podem fazer o que bem entendem. Não é possível, não é fatalidade enterrar um brasileiro a cada 10 minutos, vítima do trânsito, no Brasil. De lá para cá foram 450 mil brasileiros mortos no trânsito. Isso não é fatalidade”, argumentou.

Relembre o caso

Na madrugada do dia 7 de maio de 2009, Carli Filho dirigia a pelo menos 160 Km/h com a carteira de motorista cassada. O carro, um Passat blindado, decolou do asfalto e arrancou o teto do Honda Fit de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo, que morreram antes da chegada do socorro. O ex-deputado foi levado para o hospital com um quadro grave e instável, ficou na UTI, respirando por aparelhos. Ainda no hospital, um exame indicou que Carli Filho tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Por ter sido feito sem consentimento, a defesa conseguiu que o teste fosse desconsiderado como prova.  Uma perícia contratada pela família de uma das vítimas afirma que as câmeras de segurança do local do acidente foram adulteradas.

Carli Filho foi eleito deputado em 2006, com 46 mil votos, quando tinha 23 anos de idade. Recebeu mais de 46 mil votos, cerca de 37 mil deles na cidade onde o pai era prefeito. Se for condenado por duplo homicídio, a pena pode chegar a 30 anos de prisão.

Tentativas de adiar o julgamento

A defesa, que já havia conseguido adiar o julgamento duas vezes – a última em janeiro de 2016 –, tentou mais uma suspensão do júri popular. Desta vez, a justificativa seriam “dúvidas concretas quanto à imparcialidade dos jurados”, já que em Curitiba, segundo os advogados, a opinião pública está mobilizada contra o réu.

O habeas corpus foi tentado em todas as instâncias até ser rejeitado, na última sexta-feira, pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dos argumentos da defesa é a popularidade da mãe de uma das vítimas. Após a morte do filho Gilmar, Christiane Yared (PR) virou ativista da segurança no trânsito e se tornou, em 2014, a deputada federal mais votada do Paraná, com 200 mil eleitores.

Passo-a-passo do julgamento

• Escolha do júri
O tribunal convocou 45 cidadãos, mas só sete serão sorteados para compor o júri.

• Testemunhas
Ambas as partes vão poder interrogar as testemunhas de acusação e de defesa.

• Acusado
É a vez de o júri ouvir Carli Filho, mas ele não é obrigado a comparecer

• Debates orais
Acusação e defesa falam por 1h30 cada e, se quiserem, há uma réplica e tréplica com 1h cada.

• Veredicto
Os jurados se reúnem em uma sala secreta, votam por cédulas e o juiz anuncia a sentença

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Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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