Justiça nega liminar que tentava proibir peça “Pornô Gospel”

Narley Resende


A Justiça negou, nesta sexta-feira (3), a liminar do Conselho de Ministros Evangélicos do Paraná que tentava proibir a continuidade do espetáculo “Pornô Gospel”, em Curitiba.

Em despacho, o juiz Marcos Vinícius da Rocha Loures Demchuk afirma que “não há propósito pejorativo, de ataque, ou crítica desproporcional à comunidade cristã”.  Veja na íntegra

Segundo o juiz, o espetáculo “faz sátira sobre as relações sociopolíticas da atualidade” e não tem crítica ao grupo religioso.

O despacho também descarta o argumento de que o título da peça seja ofensivo. O juiz da 24ª Vara Civel de Curitiba afirma que a junção da palavra gospel com a palavra pornografia já existia e que não pretende criticar nenhuma religião, mas trazer à tona a reflexão sobre os direitos humanos na sociedade capitalista.

Segundo a advogada do grupo de teatro, Fabianne Candeo, venceram a liberdade de expressão e livre manifestação.

“O juiz indeferiu a liminar, na analise inicial ele não vislumbrou indícios que levassem a ridicularização da comunidade evangélica. O juiz entendeu que a junção das palavras pornô e gospel,Cropped image apesar de causar estranheza, não tem parte pejorativa ou crítica desproporcional. A gente entende que estamos em um país com liberdade de expressão, de livre manifestação, em momento nenhum foi intenção dos produtores ou dos atores da peça oferecer alguém. A peça é uma sátira às relações sóciopolíticas da atualidade”, afirmou em entrevista à rádio BandNews Curitiba.

Pornô Gospel é uma comédia dirigida por Mariana Zanette. A trama se passa durante uma eleição em que vários religiosos com atuação na mídia são candidatos.

A peça tem classificação indicativa para maiores de 16 anos e segue em cartaz até o dia 5 de junho. Nesta sexta-feira (3) e sábado (4), a apresentação começa às 9 horas da noite e no domingo às 7 horas da noite, no Miniauditório do Teatro Guaíra. Os ingressos custam R$ 30.

A principal crítica da comunidade evangélica é referente ao nome, à imagem do cartaz e ao nome do partido político dos personagens. Além da ação na Justiça movida pelo Conselho de Ministros Evangélicos, parlamentares da Câmara de Curitiba e Assembleia Legislativa (Alep) se posicionaram contra a continuidade da peça.

Tanto os vereadores, quantos os deputados, devem votar na semana que vem moções de repúdio, que na prática apenas registram a posição dos parlamentares, sem prejuízo para a continuidade da apresentação.

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