Justiça oferece denúncia contra vereador acusado de racismo na Câmara de Curitiba

Andreza Rossini


A 7ª Promotoria de Justiça Criminal de Curitiba ofereceu denúncia contra o vereador Zé Maria (SD), nesta terça-feira (3), por prática de racismo. O parlamentar é acusado de contar piada racista na Câmara Municipal, no dia 24 de novembro de 2015, dirigida ao também vereador Mestre Pop (PSC). Várias pessoas presenciaram a cena e foram arroladas como testemunhas do caso.

Segundo a promotoria a piada racista fere a lei que prevê punições para quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena prevista é de um a três anos de reclusão e pagamento de multa. “Ao dirigir-se à vítima (…) com palavras pejorativas, a alusão ofensiva referiu-se indistintamente a toda a raça negra no sentido de menosprezar e diferenciar esta coletividade”, explica o Ministério Público na denúncia.

O processo pode ser suspenso após ser acatada pelo juízo pelo denunciado ser réu primário. Para usufruir do benefício o vereador vai precisar obedecer algumas condições, como a proibição de frequentar alguns lugares, de sair da cidade onde mora sem autorização da justiça e comparecer mensalmente para informar e justificar suas atividades em juízo.

O caso

“Eu estava na minha bancada, pelas 10h30, fui até a sala dos vereadores e disse ‘bom dia, senhores’. Todos responderam, menos o Zé Maria. Ele disse ‘você chega e não dá bom dia?’. Depois disse que ninguém era velho ali para se chamado de ‘senhor’. Aí me chamou num canto e perguntou se eu estava gravando. Eu disse que não. Ele fez a piadinha: ‘tenho um negocio pra contar. Sabe por que o preto vai para igreja evangélica? Vai na igreja evangélica para chamar o branco de irmão’. Aquilo me ofendeu muito. Todos os vereadores ficaram sem graça”, conta Mestre Pop.

O vereador ofendido afirma que decidiu registrar a ocorrência quando ouviu o discurso de Zé Maria, logo em seguida, na tribuna da Câmara. “No plenário ele começou a discursar sobre direitos de deficientes e fiquei com raiva. Ninguém pode diminuir uma pessoa pela cor. Poucos dias do Dia da Consciência Negra, que a Fiep entrou com a ação para impedir, e isso acontece. Nada dá o direito para ele dizer isso. Eu podia ser inimigo dele que ele não tinha direito de dizer isso; ele sabe o que está falando. O racista fala isso porque é reprimido. Ele pensa que vai ficar impune”, protesta.

Testemunhas

Estavam na sala os vereadores Bruno Pessuti (PSC), Caca Pereira (PSDC), Dirceu Moreira (PSL) e Professor Galdino (PSDB). “Ninguém achou graça na piada dele. Na hora o Professor Galdino disse pro Zé Maria: ‘você não podia falar isso’. Eu fiquei muito abalado”, diz Mestre Pop.

O vereador Professor Galdino afirma é comum a postura debochada dos colegas. Ele conta que todos ficaram desconfortáveis com a “piada” de mau gosto. “Todos nós ouvimos. Ele contou essa piada de mau gosto. Eu que não fui a vítima me senti ofendido. Eu disse pra ele que ele não podia ter feito isso. Eu saí para o plenário e disse que estava enojado. Quando voltei para a sala vi o Metre Pop chorando muito. Ele passou bastante abalado querendo uma retratação e nós seguramos ele para que ele ficasse calmo”, conta o vereador Professor Galdino.

As imagens da TV Câmara foram cortadas no momento da confusão durante a sessão plenária.

Outro lado 

Zé Maria nega que seja racista e afirma que foi um mal entendido. “Não fiz piada nenhuma. Eu li uma piada que estava no Whatsapp sobre negros. Ele senta na mesma bancada que a minha e tenho na minha família pessoas negras. Não sou racista. Isso é para aparecer, ainda mais com quem ele está ligado. Com o Galdino. Isso é coisa do Galdino. O Mestre Pop não tem má índole”, defende.

Com informações de Narley Resende.

Previous ArticleNext Article