“Não tinha tempo de lavar as mãos entre as vacinas”, diz enfermeira

Andreza Rossini


Por Francielly Azevedo e Andreza Rossini

A vereadora Noemia Rocha (PMDB) afirmou na sessão plenária desta segunda-feira (21), na Câmara Municipal de Curitiba, que a enfermeira da Unidade de Saúde Medianeira, no bairro Boa Vista, na capital, afirmou que não tinha tempo para lavar as mãos entre as aplicações de vacinas.

A servidora preferiu não ser identificada. Em abril deste ano, quatro idosos contraíram infecção após receberem a dose de imunização contra a gripe na unidade. A prefeitura de Curitiba confirmou ontem (20) a morte de uma idosa, de 62 anos, vítima da infecção.

“A priori se pensava que era o local, a falta de higienização, mas daí uma das servidoras afirmou que não tinha tempo de lavar as mãos. Houve um número de 270 aplicações no dia. O que está se concluindo é que a infecção veio das mãos da servidora”, afirmou Noemia, que atuou para fechar a unidade após o caso. O diretor do centro de epidemiologia da secretaria municipal de saúde, Alcides Augusto de Oliveira rebate o número apresentado pela vereadora. “Durante todo aquele dia foram aplicadas 175 vacinas, por quatro servidores”, afirmou.

Segundo a vereadora, os únicos casos de infecção a nível nacional foram os registrados na Unidade Medianeira. “Naquele dia ela aplicou vacina em várias pessoas e nas que ela aplicou no período de uma hora, quatro foram parar no hospital e três na UTI”.

O problema apontado como causa da falta de higiêne foi a falta de servidores. “Isso é uma questão de gestão. Faltam sim servidores na área de saúde assim como faltam em educação. A informação que nós temos é que eles estavam sem técnicos de enfermagem e o espaço lá é muito ruim. Nós solicitamos até a possibilidade da retirada da unidade de saúde, que fica nos fundos de uma igreja. É muito pequeno, não tem ventilação”, afirmou.

Oliveira explicou que existe um procedimento padrão para a aplicação das vacinas e que a utilização de luvas não é obrigatória. “O processo de trabalho se incia com a higienização das mãos, o manuseio dos fracos e até a aplicação. Entendemos que esse procedimento deve ser feito com maior rigor. Não existe exigência da utilização de luvas para a aplicação, pelo ministério da saúde. E, nos intervalos das vacinas, é necessário a lavagem das mãos”, explicou.

Ainda de acordo com o diretor, o processo administrativo que investiga o caso apontou falta de higiene nos casos de infecção. “Nós não podemos afirmar que foi devido a falta de lavagem das mãos. O inquérito está em conclusão final e deve responsabilizar os envolvidos”, pontuou.

Segundo o diretor, a unidade tem a estrutura necessária. “Todas as unidades de saúde tem um padrão e cumprem medidas pré-estabelecidas para o funcionamento. É uma unidade mais simples, mas tem sim condições de atender ao público”, afirmou.

A Procuradoria-Geral do município, que investiga o caso, deve se pronunciar nas próximas horas sobre a morte da idosa. Os familiares de Iara registraram Boletim de Ocorrência (B.O) junto à Polícia Civil.

De acordo com nota divulgada pela Prefeitura, os outros três pacientes relacionados ao episódio já receberam alta hospitalar. Em maio, depois da confirmação dos casos, o posto foi interditado pela Secretaria de Saúde, mas já foi reaberto.

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