Lázaro Ramos e Taís Araújo vivem o último dia de Martin Luther King, em Curitiba

Fernando Garcel


Do Metro Jornal Curitiba

O ator Lázaro Ramos define a peça ‘O Topo da Montanha‘, estrelada por ele e Taís Araújo, como “mostrar o homem atrás do mito”. A montagem, que faz uma alusão ao último dia de vida de Martin Luther King, chega a Curitiba neste sábado (17) em apresentação única. A capital paranaense é a primeira cidade a receber a turnê que os dois atores vão fazer pelo Brasil nos próximos meses. Os ingressos variam de R$ 36 a R$ 146

No palco, o público é levado a 1968, em Memphis, na Igreja de Manson, depois do último sermão de Luther King — pastor protestante que entrou para a história como ativista político ícone da luta pelo amor ao próximo e contra a segregação racial norte-americana. Taís aparece na pele de Camae, camareira que em seu primeiro dia de trabalho entra em cena para confrontar o líder. “Ela aparece para contrastar com a mensagem dele. Enquanto ele vem com o discurso de paz, o discurso dela é mais duro, mais violento”, explicou Taís em entrevista ao Metro Jornal, que conversou também com Lázaro sobre a peça.

A conversa entre o pastor e a camareira, que começa num tom de comédia romântica, avança para um humor mais ácido e termina em drama, serve para Luther King refletir sobre sua própria vida antes da morte. “Construí meu personagem para potencializar as palavras e os discursos de Luther King. Não é para ser uma imitação nem ter tom de biografia. Foram os discursos dele e o texto de Katori Hall que me levaram a fazer a peça”, explica Lázaro.

Divulgação
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Katori Hall, jovem dramaturga dos Estados Unidos, é a responsável pelo texto encenado. Quando Lázaro conheceu a peça, a origem norte-americana gerou receio de que ‘O Topo da Montanha’ não tocasse as pessoas no Brasil. “Mas em 2013, quando fiz uma entrevista para o meu programa com o ex-ministro Joaquim Barbosa, o chefe de gabinete dele me entregou a tradução do texto”. Feita por Silvio José de Albuquerque, a versão brasileira revelou uma peça universal, como definiu Lázaro.

Para Taís, o texto de Hall consegue um efeito raro no teatro, que é equilibrar diversão com reflexão. “É uma comunicação feita de maneira carinhosa e agregadora”, comentou a atriz.

Atual

Além de universal, a montagem ainda é bastante atual, como frisou Taís. “Infelizmente, parece que ela foi escrita para o Brasil de hoje. Não há como não ter uma aproximação com o público”, afirmou a atriz, que no ano passado foi alvo de comentários racistas nas redes sociais.

Sua personagem, Camae, também tem uma expressão importante na luta pela igualdade social. “A peça se passa em 1968. É muito interessante ser uma mulher, que tem coragem de enfrentar e questionar as escolhas de Luther King”, acrescentou Taís. “O mais interessante é que a peça é sobre Luther King, mas poderia ser de qualquer líder, qualquer um que lute por uma causa”, finalizou a atriz.

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