Mãe de paciente em estado grave é vítima de “golpe do exame”

Narley Resende


Uma mulher, de nome fictício Maria, mãe de um rapaz que está internado no Hospital Vita Batel, em Curitiba, perdeu R$ 3.650 após receber uma ligação de um suposto funcionário da instituição. A prática é conhecida da polícia como “golpe do exame”. No mesmo dia, a ouvidoria do hospital registrou outras três vítimas do mesmo golpe.

No caso de dona Maria, o filho de 27 anos está internado desde a última quarta-feira (4), com uma intoxicação grave por medicamentos. Um dia depois do internamento, a mãe, desesperada, recebeu uma ligação de uma pessoa informada sobre a condição do paciente.

Por telefone, o criminoso dizia que o rapaz precisaria passar por exames urgentes e que, como o plano de saúde levaria alguns dias para liberar o procedimento, seria necessário realizar um depósito bancário.

O golpista garantia que o dinheiro seria ressarcido na semana seguinte. Primo do paciente e sobrinho da vítima, o consultor gráfico Robson André Esperança afirma que ficou surpreso com a riqueza de informações de posse do criminoso.

“Ligaram e disseram que os médicos precisavam fazer exames urgentes. Que o plano de saúde ia liberar o pagamento na próxima semana, na terça-feira. A pessoa que ligou descreveu todo quadro clínico dele. A alternativa que ele deu foi de que, como ia demorar a liberação do plano de saúde, o médico precisava dos exames, teriam que ser pagos os exames. Passaram um procedimento para fazer o depósito, pediu cópia do depósito autenticada em cartório para entregar no hospital. Era para dar entrada nos papeis, e o hospital ia encaminhar ao plano para reembolsar”, conta.

Chegando ao hospital com a documentação, no entanto, veio a notícia. Ouça o relato:

Polícia

Os primeiros casos desse tipo de golpe foram registrados no Estado há cerca de seis meses. As investigações são conduzidas pela Delegacia de Estelionato. O delegado Walace de Oliveira Brito explica que, na maioria das vezes, as ligações são feitas de outras regiões do país.

“Verificamos  que grande parte desses telefonemas partem de outros estados, especialmente do Mato Grosso. Nos moldes dos outros golpes, como o golpe do sobrinho, do falso sequestro.

De alguma forma os estelionatários conseguem essas informações, até mesmo se passando por colaboradores dos hospitais e acabam induzindo o próprio funcionário a informar dados de pessoas de pessoas que estão na UTI ou estado parecido”, relata.

O delegado afirma também que a participação de funcionários não está descartada e orienta o que as famílias devem fazer para não se tornarem vítimas.

“Os médicos não ligam pras pessoas cobrando o procedimento, não é comum, não é usual. Qualquer procedimento é feito na administração do hospital. As pessoas tem que ficar atentas, mesmo em momentos difíceis”, orienta.

A assessoria de imprensa do Hospital Vita foi procurada, mas ainda não retornou aos pedidos da reportagem.

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