Manifestantes ocupam Ministério da Saúde contra privatização do SUS

Andreza Rossini


Cerca de 120 pessoas ligadas à Frente Paranaense Contra a Privatização da Saúde ocuparam o escritório do Ministério da Saúde, em Curitiba, na tarde desta quarta-feira (6).

De acordo com o presidente do Sindicato Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba (Sinditest), Carlos Augusto Pegurski, o movimento acontece contra a privatização da saúde pública e com o objetivo de contribuir com as reivindicações dos hospitais federais, contra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Eebserh).

O movimento está organizando uma agenda de atos e aguardando uma audiência com representantes do Ministério. Na tarde de hoje (6) foi realizado um movimento na Boca Maldita, em13590381_644388432380689_772220914780744708_n Curitiba, defendendo a mesma pauta.

O movimento questiona um projeto de lei que está em trâmite no Congresso Nacional, já aprovado em primeira votação no senado, que prorroga a desvinculação das receitas da União com o Sistema Único de Saúde (SUS), para os Estados e Municípios, ou seja, os governos deixam de ser obrigados a investir o percentual de 25% em saúde, podendo utilizar as verbas em outras áreas.  “Em primeiro lugar, acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, como nos casos dos gastos com saúde e com educação”, diz o documento.

Atualmente, a União precisa aplicar na saúde pelo menos o mesmo valor do ano anterior e mais o percentual de variação do Produto Interno Bruto (PIB). Os estados precisam investir 12% e os municípios 15%.

Recentemente o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, defendeu reduzir o tamanho do SUS e voltou atrás na afirmação e considerou que o Sistema Único de Saúde está “estabelecido” e não deve ter seu tamanho reconsiderado.

Barros, defendeu hoje (6) a criação de uma espécie de plano de saúde mais popular, com custos menores, numa tentativa de aliviar os gastos do governo com o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, Barros explicou que a proposta consiste em oferecer planos de saúde com menos serviços ofertados do que o que foi definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como cobertura mínima obrigatória.

“O que estamos propondo como reflexão é que possamos ter planos com acesso mais fácil à população e, evidentemente, com cobertura proporcional a esse acesso. [Precisamos] ter outras faixas de planos de saúde para que a gente possa permitir que mais pessoas possam contribuir para o financiamento da saúde no Brasil.”

A ideia, segundo o ministro, é que a adesão a esse tipo de plano seja voluntária. “Quando uma pessoa tem um plano, ela está contribuindo para o financiamento da saúde no Brasil”, disse. “Ela participa dos custos de atendimento da saúde. Como os planos terão menor cobertura, parte dos atendimentos continuará sendo feita pelo SUS”, completou.

Frente Paranaense Contra a Privatização da Saúde

É um movimento composto por diversas entidades representativas, trabalhadores, usuários e pessoas que defendem a gratuidade do Sistema Único de Saúde e integra a Frente Nacional de Contra a Privatização da Saúde.

No Brasil

Manifestantes ocuparam o Ministério da Saúde em outros estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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