Marcha da Maconha ‘legaliza’ erva no Centro de Curitiba

Narley Resende


Nos espaços ocupados pelos cerca de cinco mil participantes, segundo organizadores, durante a Marcha da Maconha em Curitiba, o objetivo da manifestação parecia alcançado na tarde deste sábado (6). A pouco metros de viaturas da Polícia Militar (PM) e Guarda Municipal (GM) que acompanhavam a marcha pelo centro da cidade, jovens, idosos, homens e mulheres fumavam maconha livremente.

Com diversos adereços, batuques, composições e cantos, o grupo se reuniu por volta das 15 horas na Boca Maldita, Centro de Curitiba, e saiu em passeata a partir das “16h20” (espécie de código que indica a hora de se fumar maconha, “talvez em razão da posição dos ponteiros em relógios”) rumo ao Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná, no Centro Cívico.

O movimento mundial pede a legalização da maconha medicinal, recreativa, industrial e religiosa. Na capital paranaense, a 11ª edição da Marcha da Maconha foi batizada de “O sinal tá verde e o bonde tá passando”.

A ideia é uma referência às posições oficiais tomadas em países como o Uruguai, Holanda, seis novos estados dos EUA, e que ainda pretende atingir o Canadá, de legalizar o uso para diversos fins.

“O apoio popular à legalização da maconha medicinal é maior do que nunca, mas acho que o Brasil caminha com passos mais lentos que a média mundial. Se a Indonésia, que condena à morte o tráfico de drogas, legalizou o uso da maconha medicinal”, compara Pedro da Nobrega Bierzotti, um dos organizadores da marcha.

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Em 2016, a manifestação reuniu 6,5 mil pessoas, e em 2015, “4,2 mil” (;D), de acordo com organizadores do ato.

Neste sábado, o evento acontece simultaneamente em várias cidades do Brasil e do mundo – como São Paulo, Nova Iorque (EUA), Londres (Inglaterra) e Roma (Itália).

Reação

Preocupada com o movimento, a Associação Paranaense de Psiquiatria, federada da Associação Brasileira de Psiquiatria, se posicionou contrária à legalização da maconha.

De acordo com nota divulgada à imprensa neste sábado (6), a associação se baseia em “comprovação científica da comunidade médica à respeito dos malefícios e efeitos nocivos do consumo regular da maconha para a saúde”. Leia o manifesto.

Pedro Bierzotti rebate a posição. “A gente acha que, com esse posicionamento, a Associação não tem olhado pesquisas sobre a farmacocinética (caminho que o medicamento segue no organismo de seres vivos) do ‘tetra-hidrocanabinol’ no organismo humano, não leram (cita diversos autores)”, relaciona o manifestante.

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Ocorrências

Em Curitiba, o ato pacífico terminou por volta das 18h30, sem ocorrências registradas pela polícia. No início da concentração, ainda no Centro de Curitiba, guardas municipais revistaram um grupo de cinco jovens, mas ninguém foi preso.

Também durante a concentração, uma pessoa que estava em um prédio do Calçadão da Rua XV de Novembro jogou, de um dos apartamentos, uma bexiga d’água que atingiu e quebrou o parabrisa do carro da emissora Rede Massa, afiliada do SBT no Paraná. Apesar do estrago, ninguém se feriu. A equipe deve registrar a ocorrência na polícia. Manifestantes disseram que a pessoa jogou outras bexigas e que tinha intenção de acertar os participantes da marcha.

A PM não registrou ocorrências formais e não informou um número oficial estimado de participantes.

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