Médica acusada de matar pacientes na UTI participa de última audiência

Mariana Ohde


A médica Virginia Soares de Souza, acusada de matar pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico em 2013, participa nesta sexta-feira (16) da última audiência do processo movido contra ela na Segunda Vara do Tribunal do Júri de Curitiba. Outras sete pessoas envolvidas no caso estão sendo ouvidas desde quinta-feira (15). Até as 19h de ontem, três médicos acusados tinham sido interrogados.

Todos foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio qualificado e formação de quadrilha no início de 2013. 

Caso

Virginia Soares de Souza foi presa em fevereiro de 2013 durante uma operação realizada pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) para apurar mortes suspeitas de pacientes que estavam internados na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba. Na época, a médica chefiava a unidade.

A investigação feita pelo núcleo foi motivada pela ocorrência de sete óbitos no local. Um policial infiltrado como enfermeiro na UTI ajudou a colher provas para a concretização do inquérito, que foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná. De acordo com as investigações, os pacientes foram mortos por asfixia, com uso do medicamento Pavulon, substância que paralisava a respiração.

Dois laudos divergentes sobre as mortes estão sendo utilizados como prova nas audiências. Na primeira perícia, feita pelo Instituto Médico Legal (IML), a conclusão foi a de que não houve indícios de antecipação das mortes. Já no segundo laudo, apresentado pela acusação, o Ministério Público afirma que os investigados abreviaram a vida dos pacientes com o objetivo de abrir novas vagas no centro médico.

Para o advogado Elias Mattar Assad, que faz a defesa da médica, o laudo complementar do Ministério Público não pode ser utilizado como prova. “Neste parecer que o Ministério Público obteve, de um empresário do ramo das UTIs, não é nem de um médico, não tem peso algum para o fim de acusar pessoas. Ninguém pode ser acusado com base na opinião de outro”, explica. De acordo com Mattar Assad, ficou comprovado cientificamente que as mortes ocorreram em virtude da gravidade das doenças dos pacientes. “Ficou provado que morreram pessoas na UTI, mas morrer alguém não é crime. Não provaram que mataram alguém – matar alguém é crime e não tem prova de quem matou quem e de que forma”, diz, afirmando que a perícia não foi conclusiva e que, durante as audiências, todo ato médico foi esclarecido. O advogado acredita na absolvição dos acusados.

Depois dos interrogatórios, o Ministério Público e a defesa ainda se manifestam sobre as provas. Em seguida, as informações seguem para o juiz decidir se o caso vai ou não a júri popular. Atualmente a médica responde o processo em liberdade.

(Com informações da BandNews Curitiba)

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal