Menos de 25% dos estupros são comprovados na capital

Narley Resende


Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba 

Entre 2012 e 2015 o IML (Instituto Médico Legal) de Curitiba fez 4.734 exames para casos de conjunção carnal (relação sexual com penetração na vagina). Do total de denúncias, apenas 1.109 foram comprovadas, ou seja, apenas 23,4% dos casos tiveram provas materializadas.

O levantamento foi feito pela médica ginecologista legista Maria Letícia Fagundes, há 20 anos no IML. “Atendo muitos destes casos e afirmo que essa quantidade de resultados positivos é baixa porque o sistema é falho em provar casos de abuso sexual, e não porque não houve abuso”.

Segundo Fagundes, quanto mais rápido o material coletado for entregue, maiores as chances.Sem título

“Em até 3 dias [72h] eu tenho condições, mas no casos de crianças e adolescentes, por exemplo, os próprios familiares são os agressores ou são coniventes e a demora para a denúncia é grande. Elas não buscam auxílio sozinhas”, contou.

Do total de exames, 3.264 foram realizados justa-mente na faixa etária entre 5 a 17 anos, ou 68,9%.

Outro problema capital é a produção correta de provas, já que a qualidade se perde durante o procedimento.

“Normalmente as vítimas são levadas ao atendimento em hospitais para a profilaxia da gravidez [pílula do dia seguinte], tomar o coquetel contra o HIV e coleta de material, mas até a entrega no IML (onde fica o laboratório] pode ter prejuízo, como o material fungar”, explicou.

Para ela, o ideal seria que o IML fizesse a coleta, mas o órgão não tem estrutura para fazer todo o atendimento necessário igual a um hospital.

“Em questão de pessoal sou a única médica de fato do órgão para violência sexual. Os outros da equipe são deslocados da Saúde”, revelou. O material genético não é a única prova mate-rial possível, mas exames de anatomia em mulheres com vida sexual ativa dificilmente resultam em indícios.

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