Ministério do Trabalho identifica 800 mil infrações trabalhistas no transporte público de Curitiba

Mariana Ohde


Por Andressa Tavares, da CBN Curitiba.

O Ministério do Trabalho identificou quase 800 mil infrações trabalhistas praticadas nos últimos cinco anos pelas empresas do transporte público coletivo de Curitiba. Motoristas e cobradores sem registro na carteira de trabalho; funcionários exercendo funções no período destinado às férias; intervalos de descanso não respeitados, folgas semanais não concedidas. Estas foram as principais infrações identificadas em auditoria realizada nas empresas.

Foram contabilizadas 788.458 infrações à legislação trabalhista no período de julho de 2011 a janeiro deste ano. A fiscalização, que aconteceu também em outras cidades do país, foi motivada pelo grande número de afastamentos de motoristas e cobradores no setor de transportes do Brasil. Curitiba registrou a sétima maior taxa de afastamento – são 2,77 mil ocorrências em média por ano.

Segundo o auditor fiscal, Jansen Lima e Silva, ficou constada a falta de preocupação, por parte das empresas, em relação à saúde e á segurança dos motoristas e cobradores. Frente aos dados, o erro de gestão é inegável, avalia o auditor. “Falta uma melhor gestão de saúde e segurança do trabalho e falta um melhor controle de jornada de trabalho de motoristas e cobradores, o controle é muito deficiente. E se você tem um motorista cansado, fadigado, em excesso de jornada, isso pode refletir em uma prestação de serviço pior. Pode causar desatenção. A fadiga atua diretamente na atenção, isso pode, eventualmente, gerar até um acidente”, alerta.

As 29 empresas de transporte coletivo que operam na cidade e região metropolitana foram autuadas nesta semana. Elas têm um prazo de dez dias pra apresentar defesa. O advogado de defesa compareceu à coletiva em que foram apresentados os números na Superintendência Regional do Trabalho, mas não quis se manifestar.

A Urbs informou que recebeu os números com preocupação. O diretor de transportes, Daniel Andreatta, diz que medidas devem ser tomadas, mas não deu detalhes, porque os procedimentos ainda devem ser definidos. “Precisamos deixar claro que essa gestão foi a primeira que exigiu das empresas e vem exigindo os indicadores de qualidade. Nos descontamos das empresas cinco indicadores de qualidade que não eram descontados anteriormente. Precisamos analisar o que foi dito pelos auditores”, afirma, garantindo que serão tomadas providências para que os problemas não voltem a acontecer.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal