Mostra reúne produções de dança do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Fernando Garcel


Com Metro Jornal Curitiba

Com o objetivo de promover o diálogo entre a cultura de dança dos estados sulistas, a Mostra Sul estreia amanhã e garante programação até o início de setembro. Inteiramente gratuito, o evento vai contar com espetáculos de dança e oficinas ministradas por artistas convidados pela desCompanhia, responsável por promover a mostra.

Segundo Cindy Napoli, produtora do evento, a ideia surgiu durante uma turnê da desCompanhia que passou pelo Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina em 2014. “Apresentamos um espetáculo e fizemos uma mesa sobre a dança no Sul em cada capital e em uma cidade do interior de cada estado. Percebemos que, mesmo próximos geograficamente, conhecíamos muito pouco sobre a dança feita nestes lugares”, explicou Cindy. “Então surgiu esta vontade de continuar este diálogo, esta troca aqui em Curitiba”, completou.

Os espetáculos que serão apresentados durante o mês são da curitibana desCompanhia, da catarinense Elke Siedler, da paranaense Isabela Schwab, do Grupo LAUT!, de Santa Catarina, e da gaúcha Cia Municipal de Caxias do Sul. “Os convidados nós conhecemos durante o circuito feito nos estados”, comentou Cindy.

Mês com dança
Casa Hoffmann, Teatro Cleon Jacques e MON são os espaços que receberão as apresentações, começando pela Casa Hoffmann, que sediará a abertura da mostra nesta quinta-feira, às 19h30, com o espetáculo ‘Input’ da desCompanhia. “Todos os projetos apresentados pelos convidados são inéditos aqui em Curitiba”, adiantou Cindy.

As oficinas, também gratuitas, serão ofertadas pelo LOUT!, pela Cia de Caxias do Sul e por Isabela Schawab e vão acontecer na Casa Hoffmann. As inscrições podem ser feitas pelo site oficial.

Nesta primeira semana de mostra, além da apresentação de ‘Input’, que traz os dançarinos Airton Rodrigues, Patricia Machado e Renata Roel para dançar com a desCompanhia, na sexta, sábado e domingo o Teatro Cleon Jacques recebe a apresentação ‘Até quando?’, de Isabela Schwab, e ‘Rec(L)usadx’, de Elke Siedler.

Questões sobre força e resistência permeiam o espetáculo ‘Até quando?’, enquanto que Rec(L)usadx levanta investigações poética sobre relações afetivas interrompidas, tudo sob os traços da dança contemporânea. Confira a programação completa abaixo:

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Espetáculos

INPUT – desCompanhia de dança com a participação de Airton Rodrigues, Patricia Machado e Renata Roel (PR)
Em cena, quatro bailarinos jogam o jogo da memória: enquanto jogam, criam uma coreografia que deve ser memorizada e replicada. Como questão, além da construção do jogo (em pedaços), a construção da memória de cada um (artista e receptor).

ATÉ QUANTO? de Isabela Schwab (PR)
O trabalho propõe apresentar o corpo como um campo de batalhas. Questões sobre força e resistência permeiam a dramaturgia na tentativa de discutir – Até quanto o corpo aguenta seus desejos de potência? Até onde vai a vontade de ultrapassar suas fragilidades? Um encontro de dor e prazer, vontade e alcance, recuo e ataque. Um atrito, um conflito movido pelo desejo de se atravessar.

REC(L)USADX de Elke Siedler (SC)
Rec(L)usadx é um solo de dança contemporânea que nasceu da investigação poética sobre um mundo que é atravessado por relações afetivas interrompidas, pois foram tecidas na superficialidade. É a dança do fracasso dos planos, do corpo reclusado em um turbilhão de pensamentos, recusado pela longa durabilidade, mas nunca recuado das relações: o movimento é gerador de história e futuro.

DESCOBRINDO PLAFTPET da desCompanhia de Dança (PR)
A peça traz à tona a importância do brincar, do criar e recriar a partir de simples objetos, como garrafas pet. Neste momento em que a tecnologia vem gradualmente ocupando o lugar das brincadeiras é essencial apresentar um universo lúdico para as crianças através da dança.

[BLIND]AGEM do grupo LAUT (SC)
A peça parte da pesquisa realizada ao longo de um ano pelo grupo LAUT, de Florianópolis, surge do interesse em entender os estágios corporais dos bailarinos na ausência da visão. Mais do que isso, no entanto, o grupo busca sensibilizar o olhar do público para além do que (não) se vê.

FECHE OS OLHOS PARA OLHAR da desCompanhia de dança (PR)
A peça convida o público a uma experiência de “descondicionamento do olhar”, conduzindo seus olhares para pontos inusitados e para novas possibilidades de se relacionar com o espaço e os corpos em movimento.

LACUNA da Cia. Municipal de Caxias do Sul (RS)
Peter Lavratti (POA)

Lacuna procura desenhar cenicamente uma crítica bem humorada sobre as relações de uso e consumo entre o ser humano e as tecnologias de smartphones. Propondo uma reflexão sobre a questão e não uma apologia contra a tecnologia, qual seria a medida?
Em tempos onde nos sentimos cada vez mais conectados, que conexões estamos perdendo quando mergulhados na micro tela da palma da mão?
Vivemos em uma grande lacuna?

IN REAL – ACONTECIMENTOS POÉTICOS da desCompanhia de Dança (PR)
Na peça, os bailarinos criadores subvertem a noção prático-utilitária do espaço e das coisas/objetos, oferecendo ao público uma percepção extra cotidiana da realidade, um novo ambiente de apreciação estética.

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