Motoristas e cobradores aprovam indicativo de greve no transporte público

Andreza Rossini


O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) aprovou um indicativo de greve nesta terça-feira (17). A paralisação deve acontecer nos próximos dias, contra supostas multas cobradas de forma indevida pela Urbanização de Curitiba (URBS), responsável por gerir o transporte coletivo na capital.

O Sindimoc afirma que a URBS desrespeitou um acordo negociado em 2011, entre os trabalhadores e a prefeitura de Curitiba, que arquivou cerca de R$ 2 milhões em multas, referentes aos anos de 2011 e 2012, que seriam pagas pelos motoristas e cobradores, segundo o sindicato. Os trabalhadores apontam que as infrações são referentes a multas aplicada pela fiscalização como: não uso do uniforme (os trabalhadores apontam que o uniforme não tem agasalhos adequados para dias frios); não contenção de invasões em massa em dia de jogos de futebol nos tubos e multa de R$ 500 a um cobrador que foi ao banheiro.

O presidente da URBS, Roberto Gregório, afirmou que não existem multas contra os cobradores e motoristas, mas sim contra as empresas. “Essa questão da retroatividade é que multas que tinham sido notificadas em 2012 não foram cobradas. Abrimos uma sindicância para apurar a responsabilidade do fato. Essas multas não envolvem questões restritas a eventuais comportamentos dos trabalhadores, tem multas que são associadas a falta de limpeza, de equipamentos e informações nos ônibus, além de equipamentos danificados, como os elevadores que não funcionam”.

Ainda de acordo com Gregório, nenhuma das multas foi cobrada ou descontada das empresas até o presente momento. O presidente esclarece que na época do acordo foi feito um decreto que estabelecia que as empresas iriram cumprir medidas saneadoras, passando orientação aos profissionais, mas que, em alguns casos elas não correspondiam as multas aplicadas. “Só entre dezembro de 2012 e 2011 foram saneadas quase 4 mil multas, sem qualquer pagamento financeiro. Existem medidas que até o presente momento nós não acolhemos, chamadas gravíssimas, aplicadas, por exemplo, por ultrapassagem em local proibido, excesso de velocidade, utilizar celular e furar sinal vermelho, entre outros”, afirmou Gregório.

Na época as multas foram suspensas pelo então prefeito Luciano Ducci. Os trabalhadores da Viação Redentor, que seriam cobrados por cerca de R$ 800 mil multas retroativas, já aprovaram o indicativo de greve. O sindicato deve realizar assembleia com as outras empresas da categoria nos próximos dias.

O Sindimoc alerta ter procurado a prefeitura e não ter recebido resposta sobre o caso.  “Todas as tentativas de diálogo terminam em evasivas e adiamentos, como se o dinheiro descontado injustamente do salário do trabalhador não fosse um problema digno de atenção”, relata o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira. O documento encaminhado à prefeitura está disponível aqui.

Por meio de nota o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) informou que as  multas cobradas pela URBS devido a atitudes dos motoristas e cobradores serão repassadas aos trabalhadores. Veja a nota na íntegra:

1.      A Urbs avisou as empresas que pretende descontar multas dos anos 2011 e 2012. A maioria delas se refere à atuação de motoristas e cobradores e o valor gira em torno de R$ 2 milhões.

2.      As empresas, por meio do Setransp, entraram na Justiça contra essa cobrança e obtiveram liminar determinando que a Urbs suspenda o desconto e apresente documentação em juízo, informando a que se referem tais multas. 

3.      O Setransp alertou o Sindimoc de que, na hipótese de condenação ao pagamento das referidas multas, aquelas que forem de responsabilidade do pessoal de operação, haverão de ser descontadas de quem de direito. 

4.      O Setransp lamenta essa situação e espera obter êxito na demanda judicial, a fim de evitar consequências negativas a todos.

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