MP recorre da decisão que absolveu PMs acusados de execução

Andreza Rossini


O Ministério Público do Paraná recorreu da decisão do Tribunal do Júri, que absolveu 13 policiais militares acusados de ​​pela morte de cinco suspeitos que estavam em um carro roubado, em 2009, em Curitiba.

A decisão do Tribunal foi tomada na noite do último dia 9, após seis dias de julgamento.

“A fundamentação será apresentada formalmente pelo MPPR no prazo legal. Caso o recurso seja recebido, a Justiça deve determinar que a defesa dos envolvidos apresente suas contrarrazões para que os autos sejam remetidos ao Tribunal do Justiça, a quem caberá a decisão”, diz a nota divulgada pelo MP. O recurso foi protocolado na segunda-feira (16)  e divulgado nesta terça (17).

As mortes aconteceram durante um suposto confronto com a polícia. O carro em que o grupo estava era roubado e teria furado uma barreira policial, mas o Ministério Público do Paraná (MPPR), com imagens de câmeras de segurança e depoimento de moradores, defende outra versão dos fatos.

Na versão da defesa, os policiais estavam em uma perseguição quando o carro dos suspeitos teria batido em uma mureta e acabado parando. Na sequência, os policiais teriam trocado tiros com os cinco homens que acabaram feridos.

Para o Ministério Público, as provas mostram contradições na versão apresentada pelos policiais. Segundo o promotor Alexandre Ramalho de Farias, os policiais teriam agido como um grupo de extermínio.

“Todos os vizinhos dizem que no máximo teria acontecido três ou quatro disparos. Há uma filmagem, que na época houve muita publicidade, mostrando que os dois rapazes saem andando do veículo, são algemados e levados à viatura. […] O rastreamento de algumas viaturas indicam que, depois da rendição, (os policiais) se deslocam até o Atuba, que não é caminho para o Hospital Cajuru, onde as vítimas foram encaminhadas… Lá no Atuba são ouvidos (os disparos) por vizinhos e por um guarda municipal, no mesmo horário e data, cerca de 30-40 disparos”, argumenta Farias, promotor titular que busca sustentar, em plenário, a acusação.

“Demonstramos aqui que a polícia daqui não tem a história da polícia que mata. A polícia daqui é a polícia que protege. É o escudo da sociedade. Somos todos Rotam, somos todos Polícia do Paraná”, disse após a sentença, o advogado dos policiais, Cláudio Dalledone. “O reconhecimento de que não houve nenhum evento no Atuba, demonstra como esses homens agiram. Eles foram absolvidos de fraude processual, foram absolvidos de tudo. Eles voltam para casa e para as fileiras de cabeça erguida”, acrescentou. O advogado concluiu afirmando que a sentença “é um recado para bandido e para assaltante que a Polícia Militar vai sempre trabalhar. A Polícia Militar quando é arrastada para julgamentos é absolvida, porque a população confia na polícia”.

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