MST mantém ocupação para compor manifestação contra Temer

Narley Resende

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) pretendem permanecer acampados em frente à sede do Incra, em Curitiba, pelo menos até o dia sete de setembro. Uma manifestação envolvendo dezenas de entidades está programada para marcar o Dia da Independência do Brasil, contra o governo de Michel Temer.

Sem data anunciada para recolher acampamento, aproximadamente mil trabalhadores do MST ocupam uma quadra da Rua Doutor Faivre, entre as Avenidas Sete de Setembro e Visconde de Guarapuava.

A Prefeitura de Curitiba informou que vai encaminhar ofício para autoridades que negociam com o MST para solicitar providências para desobstrução da Rua Doutor Faivre. O documento será encaminhado ao Ministério da Justiça, Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Incra, Polícia Federal e Polícia Militar.

A Secretaria Municipal de Trânsito sinalizou as esquinas com barreiras e alterou a sincronia dos semáforos da região. Agentes da Setran e uma viatura da PM estão no local para orientar motoristas e garantir a segurança.


Os trabalhadores são membros do MST de todo o Paraná. Diversos atos estão programados como parte de uma jornada nacional de manifestações.

De acordo com uma das coordenadoras do MST, Salete Pires, não há previsão para o fim do protesto.

“A gente vai ficar aqui em frente ao Incra e somar algumas atividades com o geral da sociedade, outras organizações e movimentos que também estão em luta nesses dias. O grito dos excluídos”, afirma.

Os trabalhadores criticam o processo de impeachment, que consideram ser um golpe político. Segundo o movimento, agricultores familiares e camponeses temem a perda de direitos trabalhistas e lutam contra a desvalorização de políticas públicas.

“Em torno de mil pessoas do Movimento Sem-Terra. Nossa pauta é ‘Fora, Temer’, contra o golpe, contra retirada de direitos dos trabalhadores, incluindo a previdência, todas as questões de políticas públicas conquistadas pelo nosso povo depois de muita luta durante muitos anos”, pauta.

Em nota, o grupo afirma que os protestos acontecem como uma forma de “resistência ao golpe de Estado ocorrido no país, ao mesmo tempo em que denuncia a ameaça à soberania nacional, a criminalização dos povos indígenas, quilombolas e mulheres, e a paralisação de diversas políticas públicas”.

Na pauta do MST estão lutas como a reforma agrária e a defesa a políticas públicas como Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa Minha Casa Minha Vida.

Em junho, quando foram exonerados oito superintendentes do Incra pelo Brasil, inclusive o do Paraná, Nilton Bezerra Guedes, os sem-terra também ocuparam a Rua Doutor Faivre. Na ocasião, a prefeitura conseguiu na Justiça uma determinação para desobstrução da via. Apesar disso, a saída já estava programada e não houve necessidade de solicitar cumprimento da medida pela Polícia Militar.

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