Operadora de turismo anuncia falência e clientes ficam com prejuízo milionário

Redação


Mais de cem pessoas perderam entre dois e R$ 150 mil com a falência da empresa de turismo Interlaken. Na véspera do Natal, os clientes descobriram que a empresa encerrou atividades e não poderia devolver o dinheiro pago pelas viagens de fim ano. O golpe gerou revolta dos clientes que perderam economias, rendimentos, 13º salário, se endividaram com o cartão de crédito para poder viajar na temporada de verão.

Em um comunicado, a Interlaken informa que “após 30 anos de serviços prestados ao segmento de turismo, infelizmente encerrou as atividades em função da crise econômica”. A empresa diz que fará o “possível” para sanar individualmente os danos causados a cada um dos clientes.

A advogada Mariana Bogus conta que perdeu pelo menos 12 mil reais. “Os prejuízos variam, têm pessoas que estão sem passagens, outras estão sem pacote completo. O meu problema é referente a uma viagem para Orlando. Adquiri um pacote para três pessoas. Minhas passagens aéras não foram emitidas, tampouco meus ingressos para os parques da Disney. Paguei R$ 4,5 mil a vista para emissão de ingressos, e também o valor dos pacotes. Apenas consegui confirmar o hotel e a locação do carro”, conta.

Um dos clientes que pediu para não ser identificado disse que comprou pacotes para a Europa no valor de aproximadamente 150 mil reais. Apenas passagens aéreas teriam sido emitidas. “Nosso grupo é grande e vamos entrar com ações individuais. Está todo mundo muito triste, sem saber como reagir”, lamenta.

Outra conta que não tem como refazer a viagem em curto prazo se a empresa não ressarcir o valor pago à vista. Como o aviso da empresa foi emitido no dia 24 de dezembro, a cliente afirma que é impossível organizar a viagem com tão pouco tempo.

“Sete pessoas para passar o Reveillon em Punta Cana, a gente sairia dia 30 de dezembro e voltaria dia 6 de janeiro, passaríamos a virada do ano lá. Estamos sem rumo e sem dinheiro”, relata.

Orientação

A advogada Claudia Silvano, coordenadora do Procon do Paraná, orienta que os consumidores em situações como essa cancelem as compras quando feitas em cartões de crédito. Após o cancelamento, a orientação é procurar a Justiça.

“Quem pagou com cartão de crédito e ainda está efetuando os pagamentos, quem parcelou no cartão de crédito, que entre imediatamente em contato com a administradora dos cartões de crédito para que as cobranças sejam canceladas. Em um segundo momento, em uma situação como essa é recorrer ao Poder Judiciário. Porque tem que ser levantada a situação que a empresa está. Além desses débitos com os consumidores ela deve estar com outros débitos, trabalhistas por exemplo, que são, em uma escala de pagamentos, são primeiros a serem pagos; tributos, encargos trabalhistas, e o consumidor, nessa escala, não está entre os primeiros lugares”, orienta.

Caso seja identificado que a empresa vendeu pacotes e usou o dinheiro para outros fins que não o pagamento dos serviços oferecidos, os donos da agência podem ser presos.

“Pelas informações que nós temos, a empresa continuou vendendo pacotes mesmo em situação financeira precária. Ou seja, o valor que os consumidores pagaram por esses pacotes provavelmente não foi destinado para a contratação de serviços para aquele consumidor, mas para cobrir outros buracos. Nesse caso, é evidente que além da responsabilidade civil, há responsabilidade penal”, afirma.

Os clientes da Interlaken também denunciam cobranças em duplicidade em cartões de crédito entre outras irregularidades. Segundo os clientes, a empresa continuou oferecendo pacotes ainda no dia 24 de dezembro, data do anúncio da falência.

O site da empresa está fora do ar e a resposta aos clientes é quase padrão. O advogado da empresa Rafael Nunes informou que a Interlaken, aos poucos, vai entrar em contato com os clientes para tentar reaver a situação.

Grupo organizado

O grupo de mais de cem pessoas lesadas com a falência da empresa marcou uma manifestação para segunda-feira (28), às 8h30, em frente à sede da Interlaken, na Rua Euripedes Garcez do Nascimento, no bairro Ahú, em Curitiba. Um grupo no Whatsapp foi criado e os membros calcularam um prejuízo que pode chegar a R$ 5 milhões se somados os valores pagos pelos pacotes.

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