Orquestra Sinfônica do Paraná promete protesto no palco do Teatro Guaíra

Fernando Garcel


Os músicos da Orquestra Sinfônica do Paraná prometem protestar no palco do Teatro Guaíra contra o corte de cargos comissionados neste domingo (17). Cerca de 40% do grupo é formado por comissionados, cargos que devem ser extintos após uma ação do Ministério Público do Paraná (MP-PR) julgada na segunda-feira.

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Para chamar a atenção do público para essa ameaça, a orquestra vai fazer um protesto no palco do Guaíra, antes da apresentação que acontece no domingo. De acordo com Sebastião, os músicos vão entrar no palco, assim como acontece todo domingo, mas apenas os músicos estatutários vão estar presentes. “Vão se comunicar com o público e dizer que todas aquelas cadeiras vazias no meio do palco é a ameaça iminente que a orquestra está sofrendo”, diz.

Segundo a diretora do teatro, Monica Richbieter, o governo já previa a possibilidade dessa decisão desfavorável e criou o Palco Paraná, uma entidade ligada à secretaria de cultura para a contratação de artistas. “A gente criou um Serviço Social Autônomo para abrigar o corpo artístico do Teatro Guaíra. Então bailarinos e músicos serão contratados pelo social autônomo e os administrativos vão continuar em cargo de comissão”, conta Richbieter.

Os comissionados do administrativo, citados pela diretora, são os 43 previstos na lei que agora aguarda apreciação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

Porém, o caso do corpo artístico do teatro é um problema. Isso porque atualmente todo o balé do Guaíra é formado por comissionados, assim como 40% da Orquestra Sinfônica do Paraná. Esses postos que tem que ser fechados conforme a decisão judicial, apesar de ainda não haver prazo para isso. É a partir dessa extinção de cargos, que as vagas de artistas do balé e da orquestra serão repostas com a contratação no formato autônomo via Palco Paraná.

Reprodução
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Para o presidente da Associação dos Músicos da orquestra, Sebastião Interlandi Junior, a maneira como a transição vem sendo feita coloca em risco as atividades. “O governo assinou uma prorrogação da permanência desses cargos até que se estabeleça a contratação pela S.A, mas a gente teme que haja um hiato entre o final dos cargos e a contratação. Então esse monte de músicos vão ficar sem trabalho, sem salário e a orquestra para”, afirma o presidente.

Mais uma questão relacionada à extinção dos Comissionados de Natureza Artística é a grande possibilidade de alterações na composição tanto do Balé quanto da Orquestra, isso porque, para a contratação no formato Serviço Social Autônomo, bailarinos e músicos vão tem que passar por processo de seleção. No caso dos artistas uma audição, que ainda não tem previsão para ser realizada. “Todos os bailarinos e músicos vão ter que passar por um teste, não só com os nossos. A lei diz que a gente tem que fazer um teste aberto ao Brasil inteiro”, diz. “É um jeito de resolver o problema do Teatro Guaíra pra sempre”, concluí.

A decisão judicial abarca os profissionais do Teatro Guaíra que foram contratados a partir de uma lei de 2003, do governo Roberto Requião. À época foram criados 81 cargos em comissão para o Teatro Guaíra: 31 para o administrativo e 50 para o setor artístico. Essa foi uma solução paliativa encontrada pela gestão passada para contornar o problema de falta de pessoal, que por sua vez foi gerado pela falta de concurso público. O último aconteceu há quase 20 anos, em 1997.

Com informações de Cristina Seciuk, da Rádio CBN Curitiba

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