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Pacientes da UTI do Evangélico teriam recebido remédios desnecessários

Da BandNews CuritibaUm novo laudo do Instituto Médico Legal (IML) do Paraná sobre a morte de sete pacientes da UTI (Unid..

Andreza Rossini - 12 de julho de 2016, 17:07

Da BandNews Curitiba

Um novo laudo do Instituto Médico Legal (IML) do Paraná sobre a morte de sete pacientes da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Evangélico, em Curitiba, indica que eles receberam medicamentos desnecessários. Para o Ministério Público (MP), o resultado da perícia fortalece a tese de que a médica Virgínia Soares de Souza, ex-chefe da UTI, e mais seis funcionários da unidade cometeram homicídio. Para a defesa da médica, no entanto, o laudo não aponta nenhuma violação de protocolos nacionais de medicina intensiva, de anestesiologia ou farmacologia.

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A equipe médica é acusada de antecipar a morte de pacientes para liberar vagas na UTI do hospital entre os anos de entre 2006 e 2013. Este é o terceiro laudo da perícia realizada no caso e foi solicitado pela Promotoria de Justiça de Proteção à Saúde Pública de Curitiba, no inquérito policial conduzido pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa). De acordo com o Ministério Público, o objetivo é obter esclarecimentos adicionais aos anteriormente prestados pelos peritos.

Segundo a Promotoria, a perícia confirma que, no prontuário dos pacientes, não havia registro de condição clínica para justificar a aplicação de medicamentos para bloqueio neuromuscular, analgesia e sedação, que provocaram as mortes das vítimas. Ainda de acordo com o laudo, não existe na literatura médica indicação dos medicamentos usados para conforto ou alívio de sofrimento de pacientes naquelas condições. Segundo o advogado Elias Mattar Assad, a defesa respeita o laudo do IML mas considera que ele é um parecer isolado e que a defesa do caso encara que não houve antecipação de morte no Hospital Evangélico.

O MP informou ainda que, apesar da gravidade do estado clínico das vítimas, a perícia indica que todas estavam com quadro estabilizado no momento em que receberam a última medicação. Além disso, não teriam sido adotadas medidas terapêuticas para reverter os efeitos dos remédios. A defesa da médica espera agora as audiências para ouvir os peritos do IML e os assistentes técnicos.

Para o Ministério Público, a prova pericial fortalece outros elementos da denúncia, oferecida pelo Ministério Público em março de 2013, como os testemunhos de acusação de profissionais que trabalhavam na UTI na época das mortes e interceptações telefônicas, com registros de conversas incriminadoras. O processo judicial está no prazo de manifestação das partes após perícia. Depois dessa etapa, devem ser marcados pelo juízo da 2.ª Vara do Júri de Curitiba o interrogatório dos réus. A médica Virgínia de Souza responde ao processo em liberdade.

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