Para empresas de ônibus, movimentos sociais contribuem para aumento de “fura-catracas”

Narley Resende


O número de pessoas que entram sem pagar nos ônibus de Curitiba por dia aumentou 18%, segundo pesquisa divulgada nessa segunda-feira (9) pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região, o Setransp. Um dado novo, em relação à pesquisa anterior, é que a maioria dos invasores, 32%, é formada por usuários comuns.

O segundo maior grupo é formado por gangues e tribos urbanas (22%), o terceiro por estudantes (19%) e o quarto, por torcedores (6%). Outros fura-catracas – quando o pesquisador não soube identificar o invasor – representam 22%. Segundo a pesquisa das empresas, todos os dias, 3.831 pessoas furam a catraca em Curitiba.

Na pesquisa anterior, no ano passado, eram 3.252 invasões. Segundo o diretor-executivo das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, Luiz Alberto Lenz César, além da crise econômica, momento em que as pessoas estão com menos dinheiro, os movimentos sociais que pregam a redução da passagem estimulam o comportamento de furar a catraca.

O representante dos usuários de ônibus no Conselho Municipal de Transporte de Curitiba, Luiz Ficher, membro da Frente de Luta pelo Transporte e do Coletivo Tarifa Zero, afirma que o papel dos movimentos sociais é justamente denunciar o preço considerado alto da tarifa.

Ele também lamenta que o usuário que não tem condições de pagar a passagem tenha que se expor ao risco de furar a catraca para ter acesso a um direito.

Sobre o projeto de lei que tramita na Câmara Municipal para impor multa aos fura-catracas, Luiz Ficher afirma que os vereadores não foram tão ágeis para impor a redução da tarifa, conforme indicou a necessidade um relatório da própria Câmara em 2013.

O representante do Setransp Luiz Alberto César afirma que as empresas apoiam a iniciativa da Câmara e que qualquer medida inibidora contra os fura-catracas desonera o sistema.

A pesquisa divulgada hoje (segunda) tem o objetivo de pressionar o poder público por medidas que diminuam os índices de pessoas que usam o sistema sem pagar.

Por meio de nota, a Guarda Municipal de Curitiba afirma que realiza constantemente “operações presença” nos terminais viários, estações-tubo e patrulhamento do itinerário dos ônibus.

Com base nos dados levantados pelas pesquisas do Setransp, a Guarda afirma que foram intensificados os trabalhos em conjunto com a Polícia Militar e a Polícia Civil, priorizando os pontos de maior número de ocorrências.

Segundo o Setransp, a estação-tubo Praça Carlos Gomes, no sentido Terminal do Boqueirão, registrou o maior número de invasões: em média, 250 por dia.

Na estação-tubo Rio Barigui mais gente invade do que paga a tarifa. No sentido bairro, nos sete dias pesquisados, foram 640 invasões e 526 passageiros pagantes.

A Guarda Municipal afirma que as imagens das câmeras de segurança nas estações-tubo também têm favorecido significativamente as ações de investigação porque auxiliam na identificação dos grupos que atuam na prática dessas infrações.

Segundo as empresas, os fura-catraca geram um prejuízo anual de R$ 3,5 milhões.

Embora a reportagem tenha encaminhado a pesquisa assinada pelo Setransp, a assessoria da PM informou que “o 1º Comando Regional da Polícia Militar afirma que não recebeu as estatísticas e que, portanto, só poderá se pronunciará após o recebimento formal dos dados”.

Veja a íntegra da pesquisa do Setransp

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