Para promotora, esquema no transporte de Guarapuava pode ter acontecido em Curitiba

Roger Pereira


Autora da ação contra o ex-prefeito de Guarapuava, Luiz Fernando Ribas Carli, servidores públicos municipais e representantes de empresas do transporte público da cidade por fraude na licitação da concessão de transporte coletivo urbano da cidade, a promotora Leandra Flores disse, nesta sexta-feira, que o esquema pode ter se repetido em Curitiba. “A denúncia que apresentamos é específica sobre o caso de Guarapuava, mas já há indícios de que o crime aconteceu em outras cidades. Pode ter acontecido em Curitiba, porque os atores se repetem, mas isso a gente só vai conseguir comprovar quando analisar todo o material que a gente apreendeu”, disse.

Na ação sobre Guarapuava, o Ministério Público aponta fraude na licitação, direcionamento do edital e formação de organização criminosa para favorecer as empresas Gulin e Constantino. A CPI do Tranporte Coletivo da Câmara Municipal de Curitiba, ocorrida em 2013, apontou, em seu relatório, que 68,7% das ações das empresas que compõem os três consórcios que operam na cidade estão nas mãos de pessoas com o sobrenome Gulin.

“Os crimes eram praticados, pelo que a gente verificou até agora, essencialmente por e-mail. Então a gente apreendeu mais e-mails e precisa fazer análise deste banco de dados para ver se o crime se repetiu em outros municípios, pois há indícios até de que o crime ocorreu em municípios de outros estados”, acrescentou a promotora.

Relator da CPI em Curitiba, o vereador Bruno Pessuti (PSC) comemorou a ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Guarapuava. Ele disse esperar que as investigações avancem até Curitiba, pois, para ele, o modus operandi é o mesmo: “Na CPI, não conseguimos as provas documentais do direcionamento da licitação e da formação de cartel entre as empresas, mas temos depoimentos consistentes, como o da procuradora jurídica da Urbs, que disse que tomou conhecimento do edital da licitação apenas quando ele já estava pronto”, disse. “Encaminhamos nosso relatório, que apontou diversas irregularidades, para a promotoria de P0roteção ao Patrimônio Público, mas, nestes três anos, o único desdobramento havia sido a tentativa do Ministério Público de aprovar um Termo de Ajustamento de Conduta, para corrigir a tarifa. Não queremos só isso, queremos denúncia. Agora, essa ação do Gaeco pode ser a resposta que faltava”, diz

Na denúncia de Guarapuava, o MP aponta que a prefeitura subcontratou uma empresa para montar o edital e tal empresa tinha ligações com as empresas vencedoras do certame, tendo direcionado a concorrência. “Aqui, supostamente, o edital foi feito pela Urbs, mas todos os depoimentos indicam que esse texto veio pronto”, disse o vereador, lembrando que a CPI também constatou o direcionamento do edital com exigências como experiência das empresas em operar em canaleta.

Bruno Pessuti lembra que a Câmara aprovou a criação de uma comissão especial para acompanhar os resultados da CPI, que, por conta do momento político da Câmara, com trocas de lideranças e, até de partidos entre os vereadores, não teve seus membros indicados pelas legendas. “Acho que agora é o momento de retomar esse trabalho, de requerer ao MP uma posição sobre que procedimentos foram tomados após o nosso relatório, de cobrar essa investigação”, disse.

Procurado, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana informou que não se manifestaria sobre a denúncia de Guarapuava.

Previous ArticleNext Article
Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal