Policial Militar de folga mostra arma em casa noturna de Curitiba

Redação


A Polícia Militar (PM) deve investigar dois policiais que exibiram uma arma em frente ao palco da Shed, em Curitiba, na noite de domingo (12).  Ambos estavam cadastrados como policiais, mas não poderiam exibir a arma, nem consumir bebidas alcoólicas. O casal de policiais foi retirado da cana noturna.

Depois da reclamação de clientes, a gerência da casa sertaneja chamou a Polícia Militar, o casal foi levado e a arma teria sido apreendida. Segundo o dono da casa noturna, que pediu para não ter o nome divulgado, a gerência apenas cumpriu a legislação que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a policiais armados.

“Estamos cumprindo o que rege uma lei municipal aprovada no ano passado, que policial armado precisa ser identificado e ter uma ficha de consumo de cor diferente dos outros clientes, constando a proibição de venda de álcool para estas pessoas. Nós tivemos uma reclamação por parte dos clientes, identificamos o pessoal que estava com a arma, chamamos a polícia que chegou rapidamente e tomou as providências. Os próprios policiais que foram atender a ocorrência recolheram a arma dos policiais. Não houve confusão ou tiroteio, apenas o fato de a arma ser mostrada”, afirmou.

Uma foto que circula na internet, mostra uma mulher que seria a policial militar armada, segurando um copo de cerveja. Antes da chegada da viatura da PM, a arma teria sido entregue a um civil

sem porte.

Na madrugada do último sábado (11) um atirador deixou 50 pessoas mortas e 53 feridas em um ataque a uma boate gay em Orlando, nos Estados Unidos. O caso foi classificado como um ato “de terror e de ódio”, pelo presidente Barack Obama.

Obama diz que ataque em boate de Orlando foi ato de terror e ódio

Tiroteio 

Em abril do ano passado, um rapaz foi baleado por um policial militar na mesma casa noturna. Ele foi atingido por um tiro no abdômen, após brigar com um policial de 20 anos. A confusão teria começado dentro do estabelecimento, após um esbarrão na entrada do banheiro.

O caso motivou os vereadores a criarem uma lei municipal para tentar coibir os casos de violência envolvendo policiais de folga.

Jovem baleado por policial na Shed Bar passa por cirurgia delicada

Presença de policiais armados 

O dono da boate ainda afirmou que a presença de policiais amados na casa noturna é frequente. “É rotineiro, toda noite a gente tem presença de policiais. O que é raro é ter problemas com esse tipo de situação, mas é uma situação que quando acontece é bem desgastante, é delicado de se tratar. A Polícia Militar que atendeu o caso chegou rápido”, disse.

O presidente da Associação dos Bares e Casas Noturnas do Paraná, Fábio Aguyo, pede uma legislação mais rígida para separar os bons policiais dos maus. Segundo ele, o ato de mostrar uma arma dentro de uma casa noturna poderia ter terminado em tragédia. “A gente sabe que a lei visa separar o joio do trigo, não é que todo policial vai criar situações bobas que coloca todo mundo em risco. Vemos que boates e baladas do mundo inteiro sofrem ataques de pessoas insanas e terroristas. Quando uma pessoa levanta um negócio desse na balada é claro que todo mundo vai ficar desesperado e vai gerar uma confusão gratuita”, afirmou.

A lei, apenas municipal em Curitiba, ainda tem várias brechas. Além disso, não há rigor nas punições, segundo a Abrabar. No caso da última sexta-feira, os policiais militares que atenderam a ocorrência não teriam aceitado fazer um boletim para registrar que um civil sem porte estaria com a arma. “Nesse caso nós da casa não podemos pegar a arma porque encontramos a arma sem porte. Ai ele passa para o civil e na hora foi necessário fazer um Boletim de Ocorrência porque havia um cidadão segurando a arma sem porte. Os policiais tem que dar exemplo para a sociedade que não é assim”, afirmou.

Em nota, a PM afirma que os policiais são orientados sobre acessos em casas noturnas desde quando entram na corporação. A Polícia Militar informa que todo policial recebe uma arma de fogo que é cautelada em nome dele.

No caso específico ocorrido na madrugada de domingo (12), a PM afirma que já tem ciência da situação e “está instaurando o devido procedimento interno para apurar os fatos, bem como as condutas e responsabilidades dos policiais militares que estavam na boate”.

Previous ArticleNext Article