Prefeitura remove ‘acampamento de apoio à Lava Jato’ na praça da JF

Narley Resende


Uma equipe da Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU) removeu na manhã desta quarta-feira (15) o acampamento montado há quase três anos na Praça Pedro Alexandre Brotto, que fica em frente à sede Justiça Federal, no bairro Ahú, em Curitiba. Um caminhão foi utilizado para carregar dezenas de faixas, placas, laços e entulhos que se acumulavam na praça desde março de 2016. Antes disso, já havia laços e faixas espalhadas pela praça. De acordo com a prefeitura, a ocupação do espaço urbano “deve ser feita dentro do que estabelece as normas de urbanismo e meio ambiente da cidade”. 

Em março de 2016, o grupo se estabeleceu, inclusive, com uma casa de madeira no meio da praça, inicialmente para apoiar a Operação Lava Jato e o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Venerado pelo grupo, o juiz federal Sérgio Moro, titular da 13ª Vara Federal, responsável pelos processos da Lava Jato, trabalha no prédio em frente à praça.

De acordo com Narli Rezende, representante do movimento Curitiba Contra Corrupção, o grupo foi surpreendido na manha desta quarta com a ação da prefeitura, já que havia uma audiência marcada para a tarde com o prefeito Rafael Greca (PMN), justamente para discutir a situação do acampamento. “Essa audiência estava marcada para hoje depois do meio-dia. A Paula (membro do grupo) chegou lá cedo e já estava tudo no chão”, conta.

De acordo com a representante, o grupo responsável pelo acampamento é formado por “intervencionistas”, “impeachmistas”, “patriotas”, pessoas “do bem”, “anti-comunistas” e “apartidários”. Os integrantes fazem parte dos grupos “Acampamento da Lava Jato”, Curitiba Contra Corrupção, Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e outros. “Como alguém tinha que ficar reponsável, o Curitiba Contra Corrupção assumiu a organização para ficar tudo limpo, mas ele é aberto a todos os movimentos”, afirma. O grupo tem uma página no Facebook.

Reprodução / Acampamento Lava Jato
Reprodução / Acampamento Lava Jato

São cerca de 15 pessoas que se revezavam ao longo do dia para ocupar o espaço. Até uma casa de madeira, com telhado, geladeira e base de concreto foi montada no meio da praça. De acordo com o grupo, os materiais foram adquiridos com vaquinhas, vendas de camisetas e doações de empresários.

Durante a gestão do ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT), até o fim de 2016, nenhuma ação havia sido tomada em desfavor do acampamento em praça pública. “Por incrível que pareça, o Fruet, apesar de petista (SIC), nunca fez nada”, protesta a representante.

De acordo com Narli, havia até um sistema de luz. “A gente conseguiu um ponto de luz oficial e a gente pagava a luz, tinha conta de luz e tudo. A gente nunca fez gato, nada”, disse sem especificar o sistema.

A assessoria do ex-prefeito Gustavo Fruet informou que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente da gestão entrou em contato com o grupo na época e houve uma acordo para que o espaço fosse cuidado. Não houve pedido oficial de remoção.

Leia a nota da Prefeitura:

“Desde 2016, na gestão passada, o “Movimento Curitiba contra a Corrupção” está na praça Pedro Alexandre Brotto, no Ahú. Em função disto, a atual administração está orientando aos manifestantes sobre a ocupação do espaço, que deve ser feita dentro do que estabelece as normas de urbanismo e meio ambiente da cidade. A Prefeitura de Curitiba, por meio da Secretaria de Urbanismo, já se reuniu com os manifestantes nesta quarta-feira (15), informando que, o código de postura da cidade não permite colocar faixas em árvores ou no mobiliário urbano. Outros ajustes poderão ser feitos a pedido da Prefeitura de Curitiba”.

Reprodução / Acampamento Lava Jato
Reprodução / Acampamento Lava Jato

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