Prefeitura tem verba para 22 biarticulados

Narley Resende


Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

Com o aumento da passagem de R$3,70 para R$ 4,25, em 6 de fevereiro, a Urbs deu início a um “colchão” no FUC (Fundo de Urbanização de Curitiba), que alegadamente serviria para a compra dos novos veículos. Na semana passada, este montante chegou aos R$ 22 milhões – valor acumulado pela diferença entre o que o usuário paga em passagem e o que o município repassa às empresas, a chamada tarifa técnica.

No início de fevereiro, o prefeito Rafael Greca (PMN) subiu em quase 15% a passagem com a promessa de renovar a frota e comprar 24 ligeirões para atender a linha Santa Cândida-Capão Raso. Passados quase oito meses, a renovação segue parada pelo impasse da Prefeitura com as empresas. O município tenta fazer com que os empresários desistam de ações judiciais, pois há quatro anos uma liminar as desobriga da compra de novos ônibus.

“Vamos resolver [a questão] antes do fim do ano”, diz o secretário de Governo, Luiz Fernando Jamur, não descartando inclusive a criação de uma frota pública independente das empresas.

Esta ideia foi lançada pelo prefeito em agosto durante uma audiência na Câ- mara Municipal, mas ainda não andou. Supostamente, a nova frota rodaria na Linha Verde.

Enquanto nada disso se define, a prefeitura tenta acertar os pontos com o TCE-PR (Tribunal de Contas do Paraná) para evitar passivos futuros. “Estamos trabalhando com o tribunal para podermos fazer esse aditamento no contrato”, explica o secretário Jamur.

Várias tarifas

Desde o começo do ano a tarifa técnica das empresas já teve quatro valores. Em janeiro ele era de R$ 3,66, e passou para R$ 3,98 no seu obrigatório reajuste anual, em 26 de fevereiro. Como o aumento da passagem veio antes (a partir de 6 de fevereiro) por vinte dias R$ 0,69 de cada tarifa engordaram o FUC.

Já no dia 22 do mês passado, a Prefeitura acatou uma decisão da Justiça que considerou um dos descontos indevidos e fez o repasse subir para R$ 4,03, portanto reduzindo a sobra para R$ 0,22 por passagem.

Contudo, apenas oito dias depois o município reduziu o valor para R$ 3,79, baseada em uma decisão do TCE de 2014, que havia recomendado a redução do valor. Ou seja, desde o início do mês, a sobra por passagem já subiu para R$ 0,46, o que vai aumentar substancialmente o caixa do FUC.

Vencida

Por contrato, os ônibus da capital não poderiam rodar com mais de 10 anos e a idade média da frota não poderia ultrapassar cinco anos. Hoje são cerca de 450 veículos vencidos (1/3 da frota) e a média de idade deles é superior a oito anos.

“Dos mais de 400 ônibus com vida útil vencida, cerca de 150 cumprem tabela regular”, diz o diretor executivo das Empresas de Ônibus de Curitiba, Luiz Alberto Lenz César. A maioria dos vencidos compõe a frota reserva. “É interesse das empresas realizar a renovação, tanto para dar mais conforto quanto para reduzir custos”, completou.

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