Projeto orienta 1,8 mil alunos de escolas municipais sobre uso da bicicleta

Mariana Ohde


A utilização consciente e segura da bicicleta nas ruas da cidade é o foco do projeto Bicicleta na Escola, iniciado neste mês de maio pelas secretarias municipais de Trânsito (Setran) e de Educação. O foco são alunos do 8º ano de escola da rede municipal de ensino, que assistirão a palestras e vídeos em sala de aula com temas relacionados à ciclomobilidade em Curitiba. Nos próximos meses, serão atendidos mais de 1, 8 mil alunos em 45 turmas de 11 escolas municipais.

“Estamos realizando uma capacitação para os alunos que já têm um discernimento maior nas ações que envolvem o trânsito. Conversamos sobre como se deve andar de bicicleta nas ruas da cidade, a utilização dos equipamentos de segurança, a sinalização do ciclista no trânsito, apresentamos o Guia do Ciclista da Setran. O objetivo é formar bons ciclistas em Curitiba e incentivar uma cultura de respeito ao trânsito na cidade”, diz o coordenador de mobilidade urbana da Setran, Gustavo Garrett, que ministrou palestras nesta terça-feira (24) na Escola Municipal Papa João XXIII, no bairro Portão. Ele lembra que o projeto será uma ação permanente nas escolas municipais e que poderá ser ampliado para escolas estaduais e privadas interessadas em participar.

Marcelo Yudi Kimura, gerente de projetos educacionais da Secretaria Municipal de Educação, destaca que o objetivo do Bicicleta na Escola é formar um cidadão mais consciente no futuro, que faça diferença também nas questões relacionadas ao trânsito. “É importante que os estudantes saibam desde cedo seus direitos e também deveres na sociedade, o que inclui o respeito à sinalização nas ruas, para que tenhamos um trânsito mais seguro em Curitiba”, confirma.

O aluno Matias Zaniolo, 13 anos, assistiu à palestra e vídeos apresentados e tirou diversas dúvidas. “Não conhecia muitas das regras de trânsito para os ciclistas e agora vou observar e sinalizar melhor sempre que estiver andando de bicicleta nas ruas”, afirma. “É muito interessante saber como o ciclistas deve se comportar no trânsito. Vou respeitar e também vou conversar com meus familiares, que usam bastante a bicicleta. É importante que todos, ciclistas e motoristas, conheçam e respeitem as regras do trânsito para não acontecerem acidentes”, diz a aluna Allana Cristina dos Santos, 12 anos. Ao final da atividade, os alunos recebem uma carteirinha de Agente de Mobilidade Consciente, certificando a participação no programa.

Além da Papa João XXIII, o projeto já atendeu este ano alunos das escolas municipais Professor Erasmo Pilotto (Bairro Alto), Prefeito Omar Sabbag (Cajuru) e Júlia Amaral Di Lenna (Barreirinha). As próximas a receber as atividades serão as escolas São Miguel (CIC), CAIC Cândido Portinari (CIC), Maria Clara Brandão Tesserolli (Novo Mundo), Coronel Durival Britto e Silva (Cajuru), Bairro Novo do CAIC Guilherme Lacerda Braga Sobrinho (Bairro Novo), Albert Schweitzer (CIC) e Professor Herley Mehl (Pilarzinho).

Acordo Holanda

O mestrando Bruno Guasti Motta, da Universidade de Twente, também está participando das atividades do programa Bicicleta na Escola, falando de sua experiência com a ciclomobilidade na Holanda, país onde vive há dois anos.

Ele chegou na capital paranaense há um mês para participar do intercâmbio do acordo assinado entre Curitiba e Holanda em 2015, que tem o objetivo de aumentar o potencial de ciclomobilidade na cidade por meio da troca de experiências e da realização de projetos inovadores nas áreas de arquitetura, planejamento urbano e design, consolidando a bicicleta como opção de mobilidade segura e abrangente. O projeto tem previsão de duração de cinco anos e tem a participação de órgãos da Prefeitura de Curitiba, universidades da capital e da Holanda, além de empresas parceiras.

Natural de Vitória (ES), Motta faz mestrado em engenharia civil na Universidade de Twente e sua tese é sobre trânsito. “Meu trabalho no convênio será criar um índice de ciclomobilidade para Curitiba, um diagnóstico de todas as áreas que são boas ou ruins para se usar a bicicleta como meio de transporte na cidade. A intenção é mudar o hábito das pessoas, incentivar o uso da bicicleta e diminuir o número de veículos nas ruas”, diz.

Para ele, para um trânsito mais saudável e seguro, também é essencial iniciar a educação desde cedo com as crianças. “Na Holanda, desde muito pequenas as crianças já convivem e andam de bicicleta, já são inseridas nessa cultura. E isso pode e deve ser implantado também no Brasil e em Curitiba”, confirma.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal