Proposta para mudança nas estações-tubo esbarra em direitos autorais

Fernando Garcel


Um projeto de dois curitibanos pode resolver vários problemas em torno das estações-tubo que se tornaram conhecidos de trabalhadores do transporte coletivo e de usuários ao longo dos anos. Desenvolvida por pai e filho, a proposta sugere várias melhorias e promete tornar esses símbolos de Curitiba bem mais sustentáveis do que são hoje.

Criadas na década de 1990, as estações-tubo já foram exemplos de urbanismo, design e inovação. Mas, com o passar dos anos, as estruturas passaram a acumular uma série de reclamações. Outras bastantes comuns são sobre a falta de abrigo para vento e chuva e de banheiro para os cobradores.

Uma das principais mudanças é a aplicação do chamado telhado verde, que ajudaria a amenizar as altas temperaturas durante o verão e a reter calor no inverno. Quem explica é um dos idealizadores, o arquiteto Lyan Licheski.

“A principal proposta é a sustentabilidade ambiental e econômica. A gente conseguiu aliar as tecnologias em todas essas áreas. Por exemplo, o telhado verde ele tem como objetivo auxiliar na temperatura interna da estação. Já é comprovado que esse sistema consegue reduzir em torno de 5º C no verão e também protege no frio. Existe também a questão da nossa parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que estuda especies nativas de Curitiba e que estão sendo extintas com o avanço do mercado imobiliário e com isso fazer o resgate e fazer uma transposição para esse projeto”, conta Licheski.

Divulgação
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Outra novidade é a instalação de painéis solares para a geração de energia, que poderia ser utilizada, por exemplo, para carregar telefones celulares. Já os banheiros usariam água da chuva. Mas embora a iniciativa pareça uma proposta irrecusável, ela tem enfrentado dificuldades para sair do papel. Isso porque as alterações iriam ferir os direitos autorais da construção dos tubos que foram projetados pelo ex-prefeito e ex-governador do estado Jaime Lerner e Abraão Assad.

“A gente já apresentou o projeto para o Ippuc [Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba] e para Urbs e tivemos aprovações dos dois órgãos. No entanto, surgiu empecilhos por questão de direito autoral do projeto que é do Jaime Lerner e Abraão Assad. Nós fomos conversar com eles, mas não foram muito solícitos porque não querem que a estética do tubo seja alterada”, conta o engenheiro. “Agora, a gente está estudando com a Urbs a parte legal disso, em relação aos contratos feitos na época, pra saber se existe alguma base legal nesse impedimento da parte deles”, completa.

Considerando que as mudanças apenas adaptariam as estações-tubo, o custo ficaria em R$ 35 mil para cada unidade, conforme o projeto. Mas, como as alterações gerariam economia de energia, o prazo previsto para o retorno do investimento é de oito anos e, em duas décadas e meia, o município poderia economizar R$ 80 milhões.

Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura esclarece que, quando o projeto foi apresentado à Urbs, a orientação dada foi a de que os proponentes precisariam primeiro buscar autorização dos idealizadores das estações-tubo para promover as mudanças. Com isso, a Urbs disponibilizaria uma estação desativada para o desenvolvimento de um protótipo.

O comunicado informa ainda que a estrutura para protótipo já está disponível, no pátio de manutenção no bairro Tingui, e que o município aguarda apenas essa liberação para disponibilizar o tubo aos proponentes.

Com informações da BandNews FM Curitiba

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