Câmara rejeita fim do rodizio das funerárias

Francielly Azevedo


Da BandNews FM Curitiba

O projeto que liberaria as famílias para escolha do serviço funerário não deve mais ser apresentado na Câmara de Curitiba. A proposta foi rejeitada, nesta quarta-feira (8), em plenário, pela terceira vez. Jairo Marcelino (PSD), autor do texto, garante que não trará mais a discussão ao legislativo municipal, tendo em vista as três derrotas na votação.

Foram 23 votos pelo arquivamento, seis contra e duas abstenções. Atualmente, no sistema de rotatividade entre as 26 funerárias cadastradas, é feito um sorteio e a família não tem liberdade de escolha. Para Marcelino, o objetivo não era acabar com o rodízio e, sim, evitar que familiares fossem assediados por empresas no momento de luto.

“Nós não queremos de maneira nenhuma acabar com o rodízio. O projeto ele diz assim: caso você queira escolher uma funerária você pode escolher, senão continua o serviço normal como é. Nós queremos que aquela funerária que for agenciar no hospital ou na criminalística perca o seu alvará”, explica.

O vereador também alega que a reivindicação é um pedido da população que, muitas vezes, é induzida a pagar taxas para itens que não são obrigatórios.

“Não podemos aceitar que aquela empresa que está na vez para pegar o serviço venha a exigir das pessoas diversos serviços que encarecem, triplicam, o valor de um funeral. Exigem que seja feito o pagamento à vista, não aceitam nenhum tipo de negociação para que a família que estava naquela hora desprevenida pudesse assumir depois os pagamentos”, ressalta.

 

Posição contrária

Médica legista, a vereadora Maria Letícia Fagundes (PV) foi um dos votos contrários ao projeto. Para ela, o sistema atual evita o esquema de propina entre funcionários do Instituto Médico-Legal e funerárias.

“Antes de existir, quando era livre escolha do usuário, isso era um comércio abusivo. Os próprios funcionários, que eram terceirizados do Instituto Médico Legal, recebiam, muitas vezes, propina para chamar certas funerárias. Isso virou um comércio absurdo de propina, foi criminoso na época. E foi muito difícil o IML regular essa questão e não se pode hoje abrir esse mercado de uma maneira desorganizada”, aponta.

Os vereadores consideram a abertura de uma CPI para investigar as funerárias. Os parlamentares municipais defendem que investigar o funcionamento do sistema atual é necessário para fiscalizar se o rodízio tem funcionado da maneira correta.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.