Refugiados sírios encontram um novo lar em Curitiba

Fernando Garcel


Metro Jornal Curitiba

A Guerra Civil da Síria completou cinco anos em janeiro, e desde seu início tem obrigado cidadãos a abandonarem seu país para fugir dos constantes ataques que já mataram mais de cinco mil pessoas, segundo dados divulgados neste mês pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

O conflito já expulsou mais de 4 milhões de sírios, que tiveram que abandonar suas casas, bens e família, arriscando-se em travessias perigosas para chegar a um destino mais segura.

O Padre Samaan Nasri, que hoje é pároco da Igreja Ortodoxa Antioquina São Jorge, de Curitiba, escolheu o Brasil para começar unia vida nova ao lado da mulher e filhos. Desde que chegou da Síria, há 2 anos e seis meses, fez da igreja no Bigorrilho uma casa para os refugiados que também escolheram a capital paranaense para fugir da guerra. “Nosso costume é, em primeiro lugar, procurar a igreja. A igreja é a nossa primeira casa”, contou Samaan sobre como as quase 30 famílias e 20 jovens refugiados que a comunidade já ajudou encontraram a Igreja Ortodoxa.

Encontrar um emprego com o desafio da língua diferente, e não ter uma casa quando chegam em suas novas cidades são os três principais problemas encontrados pelos refugiados, explica Samaan.

É sobre essas dificuldades que a igreja atua: estabelecendo contatos para os sírios conseguirem suas documentações, auxiliando na busca por emprego, dando cestas básicas, marcando consultas médicas, matriculas em escolas, entre outros auxílios.

Longe de casa e do passado

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Rami Minas, jovem que há dois anos chegou a Curitiba com seu pai Jorge e sua mãe Rima, encontrou junto da família todas essas dificuldades.

Hoje quase fluente no português, o sírio contou que está empregado, mas o pai continua procurando um oficio. Os três foram ajudados pela comunidade e frequentam a igreja de Samaan.

CapturarJorge já recebeu uma oferta para trabalhar como carregador em uma fábrica de refrigerantes, mas não pode aceitar pelo excesso de esforço físico que a atividade pedia em relação a sua idade mais avançada. “Indo que meu pai quer é continuar trabalhando como encanador, fazendo o que fazia na Síria”, traduziu Rami, já que Jorge ainda fala muito pouco do português. “Nós não queremos ficar pedindo ajuda. Queremos só um emprego. A gente vem para cá sem nada, deixamos tudo. Se transfere dinheiro, você perde muito dele”, explicou o jovem.

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Quando o Padre Samaan atendeu o Metro Jornal em sua igreja no Bigorrilho, havia acabado de realizara missa de sétimo dia da matriarca da família síria Khoury. “A mãe deles acabou ficando na Síria, e morreu lá. Mas eles não puderam voltar por causa da guerra”, contou o pároco.


Tentando abrir portas

CapturarSamaan também explicou que Jorge, pai de Rami, já participou de várias reuniões com o poder público para tratar da situação do emprego para os refugiados. Até hoje nada foi resolvido.

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Para o padre, os sírios têm que ficar agradecidos pela acolhida brasileira. Mas ele reconhece que o cenário de crise prejudicou muito a efetiva inserção dos refugiados no Brasil. “O país abriu as portas, mas foi claro: não podemos ajudar com mais nada”, contou ele, frisando, no entanto, que o país é um dos melhores para legalizar a situação de refugiados. “No início davam documentação para um ano. Hoje já dão para cinco anos”.

Braços abertos

Enquanto as alternativas institucionais ainda são poucas, os refugiados são ajudados por ações voluntárias, como a da comunidade ortodoxa e da Saben (Sociedade Árabe de Beneficência do Paraná), que realizou neste mês um bazar, com mais de dois mil itens. para arrecadar fundos para a manutenção de projetos sociais de atendimento aos refugiados que estão em Curitiba -um deles, a Igreja do Padre Samaan.

O pároco também destaca outras ações que têm ajudado a inserir os sírios na sociedade brasileira, como a assistência oferecida pelos CRAS (Centros de Referência da Assistência Social) e pelo Celin (Centro de Línguas e Interculturalidade da UFPR).

Trabalho reconhecido

Lúcia Loxca foi a primeira refugiada síria a conseguir entrar na UFPR. Chegou em novembro de 2013 em Curitiba e, depois de um ano, teve a resposta de que poderia continuar o curso de Arquitetura, parado desde que fugiu da Síria junto do marido.

Quando chegou ao país, o Brasil ainda estava pouco preparado para receber os refugiados, lembra ela “A documentação não foi tão fácil. Foi difícil na Polícia Federal. já que ninguém nos entendia por causa da língua”, contou.

Mesmo não tendo tido contato direto com a Igreja Ortodoxa em relação à assistência. Lúcia conhece o trabalho feito pelo Padre Samaan. “Ele mudou muitas coisas na Igreja. Conseguiu ajudar muitas pessoas. Construiu um grande apoio para as famílias; comentou a estudante.

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