Estudantes da UFPR protestam contra invasão. Pedido de reintegração foi descartado

Jordana Martinez


Jordana Martinez e Andreza Rossini

Professores e alunos da Universidade Federal do Paraná passaram a manhã concentrados em frente ao prédio histórico da UFPR,  na praça Santos Andrade, em Curitiba. São centenas de estudantes que aguardam os desdobramentos das negociações sobre a ocupação do prédio que foi invadido por manifestantes mascarados na noite de quinta-feira (03).

As aulas estão suspensas. Por conta da ocupação, provas e bancas de avaliação de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) foram canceladas. De acordo com a reitoria, cerca de 5 mil estudantes são prejudicados. Um novo protesto está marcado para o início da noite desta sexta.

Em entrevista coletiva à imprensa, o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, afirmou que, por enquanto, a instituição não irá pedir reintegração de posse do imóvel. Uma comissão de negociação foi instaurada para tentar liberar o prédio.

“Nós nos surpreendemos pela violência, pela maneira truculenta que adentraram o prédio, quebraram vidros, trancaram a porta, machucaram pessoas. Foi um movimento bem diferente do que estávamos acostumados a ver nas manifestações. Fomos surpreendidos por uma ação que machucou a universidade que é símbolo da democracia e do espaço republicano que temos na UFPR”, afirmou.

O grupo que está do lado de fora do prédio contesta a legitimidade do movimento. Os manifestantes evitam as entrevistas à imprensa.

Em entrevista ao Paraná Portal, o estudante do curso de direito Nicolas de Sousa Barbosa contou detalhes do momento da invasão: “quando terminou a aula a gente começou a perceber que tinha um monte de gente aqui que não costuma circular por aqui. E tinha um grupo muito grande na escadaria já. E a gente descobriu que muitos entraram durante a tarde e estavam escondidos dentro do prédio esperando o horário de fechar… eles bateram em vários estudantes, meninas também, jogaram spray de pimenta, machucaram uma professora nas costas. Ficamos presos, um grupo de 50 pessoas por uma hora e meia. Foi muito assustador, tinha muita gente chorando”, afirmou.

A professora Vera Karam, diretora do Setor de Ciências Jurídicas da UFPR, explicou que não há consenso sobre o apoio ao movimento: “a gente mantém a pluralidade das opiniões aqui dentro da faculdade. Há grupos que entendem que a ocupação é ilegítima. Há também um conflito em torno das pautas políticas”, afirmou. Veja a entrevista:

 

Segundo a professora de Direito Penal, Priscila Placha Sá, os “invasores” não representam os universitários. Ela explica que uma assembleia estava marcada para a semana que vem para que os alunos decidissem se apoiariam ou não o movimento. A professora presenciou o momento da invasão: “fomos comprimidos contra a porta de entrada e eles já com cadeados e correntes queriam trancar a porta até que foram quebrados os vidros da porta de entrada. Com a quebra, os vidros machucaram um aluno que estava fora e outro que estava dentro. Agrediram uma aluna que tentava sair, que começou a chorar desesperadamente; outro aluno ficou machucado no braço. Houve boatos que usaram, inclusive, gás de pimenta”, relatou nas redes sociais.

Pelas redes sociais o movimento Ocupa UFPR, que coordena as ocupações em oito prédios da UFPR, justificou a ação.

Veja a nota na íntegra

“NOTA DOS/AS ESTUDANTES SOBRE A OCUPAÇÃO DO PRÉDIO HISTÓRICO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ – UFPR

Após intensas discussões, e diante do atual cenário de ebulição nacional de mobilizações contra uma série de ataques aos direitos sociais que vêm ocorrendo em nosso país, como a PEC 241 (55 no Senado) e a MP 746, nós, estudantes dos diversos cursos da UFPR, decidimos por ocupar, no dia 03 de novembro de 2016, o Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná – UFPR.

Todo poder emana do povo, como está expresso na Constituição, e ante isso o povo tem reivindicado esse poder por meio das mobilizações nacionais, cuja ponta de lança tem sido as ocupações estudantis protagonizadas pelos e pelas secundaristas e que agora têm se espalhado pelos Institutos Federais de Educação, e pelas universidades, Federais, Estaduais e privadas.

Entretanto, essas mobilizações não se limitam aos movimentos estudantis, indo ao encontro das pautas e reivindicações dos vários movimentos organizados e de luta do campo e da cidade, que vêm se mobilizando ante os ataques aos nossos direitos historicamente conquistados.

Sendo o prédio histórico da UFPR um prédio público pertencente à toda a comunidade e não apenas a alguns poucos cursos, a sua ocupação representa um marco importantíssimo do que vem sendo chamado de “primavera estudantil”.

Salientamos que a ocupação possui caráter pacífico, mas que, no entanto, algumas pessoas contrárias ao movimento de ocupação agiram de maneira violenta, agredindo os ocupantes de forma verbal, moral e física (provocando o ferimento de três estudantes ocupantes, um deles, inclusive, com faca), e ainda forçaram as portas da entrada principal do prédio, quebrado alguns vidros da mesma, conforme mostram vários vídeos filmados durante o ato, que circulam nas redes sociais.

Permaneceremos ocupando por tempo indeterminado até que sejam revogadas a PEC55 e a MP746 que afetam os direitos sociais. Assim sendo, convidamos todas e todos a apoiar as ocupações e a se organizar em seus locais de moradia e/ou trabalho. Resistiremos firmes e fortes.

FORA PEC55!
FORA MP746!
NENHUM DIREITO A MENOS
OCUPAR E RESISTIR”

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Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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