Sem acordo, sindicato diz que “reajuste zero” equivale a redução de salários

Jordana Martinez


Em reunião com os sindicatos dos servidores públicos nesta terça-feira (31), a prefeitura de Curitiba não apresentou proposta de reajuste salarial.  Os servidores reivindicavam a reposição da inflação do período, de 6,39% e aumento real de 3,61%.

“A “proposta” de data-base apresentada pela Prefeitura na manhã desta terça-feira (31) é de 0%. Mais uma vez, a administração de Rafael Greca ataca os direitos dos servidores e descumpre uma lei criada pela própria gestão, dentro do pacotaço de ajuste fiscal”, afirmou o sindicato nas redes sociais.

Segundo o Sismmuc, a Prefeitura solicitou a presença de todos os sindicatos “em dois momentos para discutir a data-base, quando já sabia que não apresentaria nenhum percentual de reajuste”.

Para o sindicato, com o aumento da alíquota do Instituto de Previdência do Município de Curitiba (IPMC), na prática, o congelamento equivale à redução dos salários: “o atraso na data-base e a desvalorização do salário dos servidores em comparação com o aumento da gasolina, dos alimentos e remédios diminui o poder de compra da categoria. Mas, além disso, com o aumento da alíquota do Instituto de Previdência do Município de Curitiba (IPMC) e a proposta de 0% de reajuste, a Prefeitura está concretamente diminuindo o salário dos servidores públicos”, diz o texto.

“Diálogo aberto”

A Secretaria Municipal de Administração e Recursos Humanos informa que a Prefeitura de Curitiba não tem um posicionamento fechado sobre a questão do reajuste do funcionalismo e que mantém o “diálogo aberto”.

“O município busca atender a demanda dos servidores, sem desrespeitar a Lei  municipal 101/2017, que trata da responsabilidade fiscal do município.

Segundo o secretário municipal de Recursos Humanos, Heraldo Neves, o diálogo não foi encerrado, mas a discussão será feita dentro da realidade fiscal do município. Neves reforça que a Prefeitura tem tido boa disposição em quitar pendências com o funcionalismo, tais como dívidas passadas que não foram pagas entre o período de 2012 a 2016.

Nesse semestre, a Prefeitura está pagando R$ 67 milhões de repasses atrasados aos servidores públicos em atividade, pensionistas e aposentados. As pendências incluem pagamento de indenizações de licenças-prêmio não usufruídas, além de processos referentes a diferença de férias, horas extras, crescimento de carreira, Regime Integral de Trabalho (RIT) e descansos remunerados”.

Histórico da data-base

Os servidores reivindicavam a reposição da inflação do período, de 6,39% e aumento real de 3,61%.

Segundo o sindicato, com base em dados fornecidos pelo Dieese, desde 2000, a Prefeitura de Curitiba sempre apresentou um número de reajuste, mesmo que fosse inferior à inflação. Antes de 2017, o menor índice apresentado pela administração foi de 3,92%, em março de 2000.

 

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.