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Sem dinheiro, Evangélico suspende atendimento a novos pacientes

Com informações da BandNews CuritibaO Hospital Evangélico vai suspender a partir da próxima segunda-feira (28) a marcaçã..

Andreza Rossini - 25 de novembro de 2016, 16:11

Com informações da BandNews Curitiba

O Hospital Evangélico vai suspender a partir da próxima segunda-feira (28) a marcação de exames e consultas ambulatoriais. A medida, anunciada nesta sexta-feira (25), é aplicada para garantir o atendimento dos pacientes internados. Serão mantidos apenas exames de imagem e laboratoriais que tiverem relação com tratamentos continuados, como o de câncer, por exemplo. O hospital não vai agendar novas cirurgias.

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Sem dinheiro para a compra de materiais e remédios e até para pagar os salários dos funcionários, os atendimentos a pacientes do Samu, Siate e Central de Leitos via SUS, o Sistema Único de Saúde, não são realizados desde a última segunda (21), com exceção dos queimados.

"É um hospital que está em um teste orçamentário, temos uma receita menor do que a despesa. Desde que fez a intervenção o Ministério Público do Trabalho (MPT) conseguiu diminuir a diferença, mas não conseguiu fazer com que ela desparecesse. Em agosto retornaram o desconto do empréstimo bancário que foi feito há anos e foi renovado. Esse desconto é feito dentro do dinheiro que vem do Ministério da Saúde e repassado ao hospital", afirmou o  interventor do hospital, Carlos Motta.

Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Curitiba, que é a responsável pelos repasses do governo federal via SUS, esclarece que os serviços do Evangélico para Urgência e Emergência são de interesse da Secretaria Municipal de Saúde, conforme propostas apresentadas pela instituição no fim do mês de setembro. A Administração Municipal afirma ainda que as requisições apresentadas já foram levadas ao Ministério da Saúde, inclusive com a participação de representantes do hospital, mas que isso agora depende de habilitação junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). Somente assim é possível um aporte suplementar ao Fundo Municipal de Saúde que permitiria a ampliação do contrato vigente com o hospital. O próprio interventor admite que o Evangélico vinha recebendo ajuda do Poder Público.

O aporte pedido pelo hospital é de R$ 3 milhões, com a primeira parcela prevista para dezembro. Em nota oficial divulgada na quinta-feira (24), o hospital comunicava que esse contingenciamento de serviços é a única alternativa para garantir que os insumos necessários ao tratamento de pacientes internados não se esgotem. Mesmo assim, o interventor prefere não cogitar, ao menos por enquanto, o fechamento definitivo do Evangélico.

"Nós não trabalhamos com essa possibilidade porque entendemos que o Evangélico tem uma importância tão grande para a sociedade de Curitiba e para o SUS que todo o nosso esforço é para manter aberto. Não pensamos nisso para que não aconteça. Precisamos de medidas de ajuda de curto prazo, como a continuidade do pagamento do adiantamento da prefeitura de Curitiba", afirmou.

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Desde 17 de dezembro de 2014, a instituição – que era administrada pela Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba – está sob o comando de interventores por determinação da Justiça do Trabalho. O hospital afirma que todas as medidas possíveis vêm sendo tomadas para conter a crise financeira, e que a prioridade agora é para os serviços prestados apenas pela instituição, assim como as pessoas já internadas ou com cirurgias agendadas. Os demais pacientes são orientados a buscar outros locais, enquanto as vítimas encaminhadas pelo Siate e pelo Samu são levadas para os hospitais do Trabalhador e Cajuru.