Agentes de trânsito devem cruzar os braços às vésperas da chegada da tocha olímpica

Fernando Garcel


Os servidores da Urbanização de Curitiba (Urbs) devem cruzar o braço nesta semana, às vésperas da chegada da tocha olímpica na capital paranaense. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização do Estado do Paraná (SindiUrbano), a categoria aprovou a greve em assembleia realizada na última quinta-feira (7). São 600 trabalhadores que devem cruzar os braços a partir de quarta-feira (13).

Entre os motivos da greve está a insatisfação com o acordo coletivo da categoria apresentado pela empresa na última terça-feira (6). O órgão não ofereceu reajuste salarial e de benefícios, mas em troca os servidores teriam redução da carga horária de trabalho. As jornadas reduziriam de oito para seis horas diárias, para os administrativos e profissionais de nível superior; de oito para sete horas e 30 minutos para os agentes de apoio e técnicos operacionais; e de seis para cinco horas e 30 minutos para agentes de fiscalização e agentes de trânsito.

“Considerando-se que o prefeito nunca se posicionou mesmo diante de atrasos salariais e inúmeros outros problemas existentes na atual gestão da URBS, não resta outra alternativa aos trabalhadores senão iniciar a greve geral na luta pelo reajuste salarial digno e pela melhoria nas condições de trabalho”, diz o sindicato da categoria.

Foto: William Lucas
Foto: William Lucas

Segundo o SindiUrbano, entre os 600 servidores que cruzam os braços estão, pelo menos, 400 agentes de trânsito e com isso as atenções se voltam a passagem da tocha olímpica na capital, que acontece na quinta-feira (8), e vai passar por vários pontos turísticos de Curitiba. Ao todo 170 pessoas vão conduzir a chama pelas ruas da cidade. O revezamento da tocha olímpica começa às onze horas da manhã no Museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico. Serão 36 quilômetros de percurso até chegar, às seis horas da tarde, na Pedreira Paulo Leminski, onde está prevista uma cerimônia de encerramento.

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De acordo com Valdir Aparecido Mestriner, presidente do SindiUrbano, a categoria reinvidica, ao menos, a inflação acumulada no período entre agosto e maio, cerca de 9,84%. Apesar do desfalque dos servidores, Mestriner afirma que o trabalho pode ser feito por outros órgãos. “Existe a possibilidade de haver problemas, mas outras estruturas podem dar conta dessa necessidade, como o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, Exército, etc.”, diz. Uma reunião com os trabalhadores deve acontecer na quarta-feira pela manhã para definir os próximos passos da greve.

Por meio de assessoria de imprensa, a Urbs afirma que a greve não tem relação com os motoristas e cobradores do transporte coletivo da capital. O órgão só deve adotar medidas para garantir o atendimento à população após a deflagração da greve. Além disso, a Urbs reforça que caberá à Justiça determinar o contingente mínimo de trabalhadores necessário.

Para a passagem da tocha olímpica, a informação é de que além do contingente mínimo que vier a ser definido, o esquema de trânsito contará também com a participação do Batalhão de Polícia de Trânsito da PM (que por força de convênio possui as mesmas atribuições da Setran). Conforme a Urbs são cerca de 320 os agentes de trânsito cedidos pela Urbs à Setran.

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Por fim, em relação às negociações, a Urbs entende que ainda estão em curso e que a paralisação prejudica o andamento. Uma audiência de conciliação já está marcada para o dia 15, na Superintendência Regional do Trabalho.

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